sexta-feira, 4 de setembro de 2015

O FUTEBOL NO SANGUE

A sensação de estar onde sempre quis estar, mas nunca havia podido...



Nem sei por onde começar esta história. Desde que me dou por gente, ali por volta de meus 6 anos de idade em 1991, me via como cruzeirense. Por mais que não visse sequer alguma manifestação mais clara de meus pais quanto ao futebol, a não ser quando jogava seleção brasileira, criei este vínculo praticamente sozinho. Não via meu pai com camisas do Cruzeiro ou deixar de fazer alguma coisa só pra assistir ao jogo que passaria na TV ou no rádio, só falando que é cruzeirense...
Não sei como me tornei este torcedor que sou hoje, que acompanha, vibra, grita, arrepia, fica tenso, nervoso, veste a camisa, que tem vontade de ir ao estádio sentir aquela sensação de comemorar um gol importante no local onde ele aconteceu, abraçando desconhecidos, ficando sem voz. Lembro do primeiro título que comemorei, foi ouvindo no rádio uma vitória em cima do Atlético não lembro por quanto no campeonato mineiro de 94.
Campeão Mineiro de 1994
Tenho esse time em mente até hoje: Dida, Paulo Roberto, Célio Lúcio, Luizinho e Nonato; Douglas, Cerezo, Luiz Fernando e Cleison; Ronaldo (sim, o fenômeno. Que na época era chamado de “menino Ronaldo”
) e Roberto Gaúcho. (FOTO)
Em 95, não me lembro de ter dado bola para os títulos da Copa Master e da Copa Ouro, que hoje tem a sua devida importância. Ainda em 95, com 10 anos de idade, flertei em ser santista ao ver aquele futebol bonito do clube paulista no brasileiro em que ele perdeu do Botafogo na final. Em 96 o que me marcou pra valer foi uma goleada que o Cruzeiro deu no Vasco em São Januário por 6 a 2 pela Copa do Brasil e a final histórica contra um Palmeiras super favorito, que tinha parceria com a Parmalat, cheio de estrelas. Após um empate melancólico no Mineirão, estava meio desacreditado e mesmo assim meu pai me chamou pra assistir esse jogo num bar no bairro Afonso Pena chamado Camisa 10. Àquela época, a comunicação era muito restrita, praticamente não existia celular. Então combinei com meu pai para me encontrar no ponto de ônibus lá perto. E nada. Não o encontrei e perambulei pela região tentando encontrá-lo sem sucesso. Fiquei revoltado e voltei pra casa no Danilo Passos a pé. Estava mais nervoso com meu pai, por ter se desencontrado de mim e me deixado sozinho, do que em relação ao jogo em si que já rolava.
Nonato com a taça.
Ao atravessar a ponte que liga os bairros Bom Pastor e Danilo Passos (onde moro), ouço gritos e fogos pra todo lado, pensei logo no pior: “Deve ser esses atleticanos vibrando pelo Parmêra!” Segui minha caminhada até em casa quando encontro minha mãe vibrando e me dizendo que o Cruzeiro era campeão!
(FOTO)
Desabei em choro, sem saber se de felicidade pelo Cruzeiro ou de tristeza ao contar que não tinha encontrado meu pai e que tinha vindo embora sozinho...
Esse jogo ficou como marco em minha vida de torcedor. A partir daí teria a real noção do que é torcer pelo azul mais querido do Brasil. Em 97, duas conquistas históricas: o Mineiro com recorde de público no Mineirão e a Libertadores com aquele chutinho despretensioso do Elivélton de fora da área. O mais legal foi ouvir o Galvão Bueno gritando como nunca em um gol celeste. (FOTOS)
132.834 pessoas na final do Mineiro (acima)
Comemoração gol do título Libertadores 1997 (abaixo)


No fim do ano a decepção pela derrota diante do Borussia no Mundial. Em 98, um grande brasileiro, mas que esbarrou numa grande equipe, o Corinthians, que na final jogou muito e venceu o Cruzeiro em 3 jogos. Em 99, outra primeira fase boa no Brasileiro, mas vi e tive o gostinho amargo pela primeira vez de ver o Atlético nos eliminar nas quartas de final com um gol de peito do Guilherme. Lembro que assisti a esse jogo num bar no bairro Santo Antônio com meu pai. Saí frustrado e chamando meu pai de pé frio, que nunca mais veria um clássico com ele. Covardia, mais tarde ele me provaria o contrário... Em 2000 fui pela primeira vez assistir o Cruzeiro no Mineirão, foi num jogo contra o América pelo Mineiro junto com pai e Cabeça, meu irmão caçula que na época tinha 8 anos e hoje nem se lembra desse dia. Marcante também pelo título emocionante da Copa do Brasil. O gol do título só veio no último minuto com Geovanni batendo falta. Saí gritando como louco na minha rua. Pulei o muro de casa numa facilidade que nunca tive e fiquei totalmente sem voz comemorando! (FOTO)
Geovanni ajeita a bola antes do gol
Estava confiante naquele time do Cruzeiro, que fazia uma campanha digna de título no Brasileiro, que naquele ano chamava-se Copa João Havelange. Infelizmente esbarrou no Vasco de Romário dentro do Mineirão. Assisti pela TV o “baixinho” desequilibrando. Não aguentei e no fim do jogo desabei a chorar no quintal. Achava que tinha perdido a chance de ouro de ver o Cruzeiro campeão brasileiro e me perguntava quando que aquele sofrimento ia acabar. Mal poderia esperar... A partir daí, passei a acompanhar mais perto o Guarani no Farião. 2001 foi um ano ruim pro Cruzeiro (vide pênalti perdido por Jackson contra o Palmeiras pela Libertadores no Mineirão). Tanto que, o que eu mais tenho em mente, foi em um parque de diversões com os amigos Spartacus e Moizés. Estávamos na montanha russa, subindo, quando Moizés vira e fala: “Viu o Edmundo estreando com gol hoje? Ele vai dar o que falar!” Realmente deu, mas em outro sentido... 2002 começou com a consolidação de um ídolo: SORÍN! Uma raça incrível, a ponto de fazer o gol do título da Copa Sul-Minas com a cabeça sangrando. (FOTO)
Sorín machucado fazendo gol do título 2002.
No Brasileiro lembro-me de ficar puto na rodada final da fase de classificação. O Cruzeiro estava prestes a se classificar na 8ª colocação com o empate entre Ponte Preta e Fluminense. Até que o senhor Ronaldão, zagueiro da Ponte, faz o favor de entregar de “bandeja” o gol da vitória do Flu e com isso colocou o Santos nesta posição.
2003, uma epopeia! Um esquadrão que ganhou tudo! Com grande futebol, cada cruzeirense tem e terá guardada esta temporada com enorme carinho. Destaque especial pra minha volta ao Mineirão na final da Copa do Brasil contra o Flamengo. Passei maus bocados com o amigo Lucas Zorêia. Inventei de experimentar ir ao jogo no especial da Máfia Azul que saiu daqui de Divinópolis. Confusões com a própria torcida no caminho, um pouco de medo e apreensão, chegada em cima da hora, estádio lotado, ingresso roubado pela minha própria torcida na fila de entrada, comprar outro de cambista... Apesar de tudo, consegui assistir o baile desse mega time direto da saudosa geral do estádio e comemorar muito! Outro ídolo surgia com maestria: ALEX! (FOTO)
Time espetacular!
No fim do ano, enfim o título brasileiro. Esse eu vi! Os anos seguintes passaram despercebidos. Um Cruzeiro de ressaca, sem emoções...Voltaria a vibrar com maior intensidade nos 5 a 0 da final do Mineiro de 2008.Voltei ao Mineirão com o até então pé frio do meu pai para a última rodada do Brasileiro daquele ano, contra a Portuguesa. Quando o time paulista abriu o placar no primeiro tempo, eu já olhava torto pra ele. No segundo, deslanchamos. Viramos para 4 a 1 e estávamos garantidos em mais uma Libertadores. A seguir veio o bis de 2009 em cima do Atlético. Mais um 5 a 0 pra conta do nosso eterno rival. Naquele mesmo ano, chegamos à final da Libertadores, mas o destino quis que tomássemos uma inesperada virada do Estudiantes dentro de casa.
A partir daí, comecei a ir mais ao estádio ver jogos de perto. Em 2009, o Mineirão iria fechar para reformas em prol da Copa de 2014. Lembro que acompanhei jogos como a derrota para o Atlético-PR, outra numa virada totalmente maluca para o Fluminense com 3 de Fred no segundo tempo, e o último jogo que fui ao Mineirão foi num empate com o Grêmio. Nesse, estava acompanhado de minha mãe. Ela pode sentir a vibração da torcida celeste e as arquibancadas tremerem. Em 2010 destaque para alguns jogos que eu e Moizés fomos a Sete Lagoas, Arena do Jacaré, onde os clubes de Minas tiveram que jogar. (FOTO)
Arena do Jacaré. Promessa é dívida!
Destaque para o 3 a 1 em cima do Vasco, o Cruzeiro estava bem e buscava o título. Então resolvi prometer algo para meu amigo: “Se o Cruzeiro ganhar, vou à Volta Redonda!” Onde seria o próximo jogo, contra o Flamengo. Pegamos muita chuva durante e principalmente após o jogo. Na volta, passando pela BR-262, que estava em obras, não enxerguei uma placa de estreitamento de pista e acabei batendo a roda dianteira direita do Uno desse camarada. Resultado: Entortei a roda toda e por via das dúvidas não seguimos. Como não havia levado celular, nem o Moizés, meu pai era a única salvação. Isso desde que desse sinal para chamar socorro. Pai já tinha aberto mão da ajuda e já deitara no banco de trás pra dormir. Era meia noite quando consegui falar em Divinópolis. Às pressas, pedi minha mãe pra chamar um guincho. Nesse meio tempo fomos abordados pela polícia que só questionou o motivo de estarmos ali e se foram.
As 2:15 da manhã o guincho chega e quase ao amanhecer chegamos a Divinópolis com a bagatela de 250 Reais de conta pela remoção. Na semana seguinte cumpri o prometido e conheci o estádio da Cidadania em Volta Redonda. Mais uma grande vitória e de virada. Foi uma excelente viagem, com uma boa estadia, numa boa cidade... Começara ali naquele fim de 2010 a concretização de uma ideia maluca. Uma ideia que deu certo, não por completo, mas deu muito certo!
Amor pra toda a vida!
A seguir, contarei como viajei em grande parte do ano de 2011 atrás desse clube que move minha vida! Pelo simples motivo de ter amor por tudo isso, conheci de perto a maioria dos estádios que sempre admirei pela televisão. Tive, naquele ano, uma oportunidade rara, para não dizer única em minha vida, de viver tudo aquilo. Graças a um bom companheiro de trabalho e à empresa que trabalhava, na qual, possibilitou deslocar-me Brasil a fora sem muitos custos financeiros, a saga aconteceu. Isso é só um pouco do que sinto pelo futebol e pelo Cruzeiro. Esta introdução é só a mínima parte de uma memória que quero eternizar em palavras e imagens...

Nenhum comentário:

Postar um comentário