segunda-feira, 14 de setembro de 2015

PRESENTE DE GREGO

Aos 26 anos de azul, um Rio de São Pedro...


Quatro de junho, uma data especial. Data que neste ano de 2011 ficou ainda mais especial em minha vida. Completara meus 26 anos de vida e por coincidência seria no dia do jogo do Cruzeiro no Rio de Janeiro contra o Fluminense. Nem pensei duas vezes, passaria o dia de meu aniversário pela primeira vez fora de casa, na estrada, no estádio, torcendo pelo time do meu coração!
Acordei bem cedo, umas cinco e meia da manhã. Tomei meu café e peguei o carro rumo à Belo Horizonte.
TERGIP - Rodoviária de BH (foto externa)
Saí de casa às 6:45. Como era sábado, a estrada estava um sossego só. Mas é só chegar à nossa capital, que o trânsito pegou um pouco e fez-me chegar à rodoviária às 8:30.
 (FOTO) 
Deixei o carro no estacionamento coberto para uma melhor segurança e proteção, apesar de ser bem mais caro... Ainda comi um pastel para complementar meu café da manhã e dirigi-me à plataforma de embarque, pois às 9 horas sairia o ônibus da Cometa para o Rio. O motorista parecia ser brincalhão, seu nome era Genário. Logo, claro, me veio à mente aquela música de Sandy e Júnior... Isso me dava um bom sinal de que daria certo viajar com eles. Trecho garantido!
Entrei naquele clássico ônibus da Cometa, chamado de “Dinossauro”, para quase 7 horas de estrada até o Rio. Este ônibus só parecia velho na lataria porque o chassi era novinho. Fez-me lembrar dos meus tempos de infância... Já apaixonado por ônibus, por volta de meus 5 anos, tinha uma réplica em lata de um ônibus daquele modelo da Cometa e pela primeira vez, viajava pra valer num desses. Acomodei-me bem no fundo do veículo, especificamente na última poltrona do lado do motorista, sentindo o ronco poderoso daquele motor Scania K-113. À minha frente estava uma policial militar que, diga-se de passagem, era bem bonita. Era disparada, a policial mais linda que já tinha visto até então. Seguimos tranquilamente pela BR-040. Com mais ou menos uma hora de viagem, passamos próximo a um lugar deslumbrante visualmente, o Viaduto as Almas. 
Viaduto das Almas em Itabirito-MG
(FOTO) Hoje já devidamente desativado após inúmeros acidentes fatais. Em seu lugar, foi construído outro com pistas duplicadas.
Paramos no trevo de Barbacena para a linda policial desembarcar, uma pena. Pouco depois, já quase em Juiz de Fora, paramos para almoço no Graal Silvio´s. Coincidência? Desci e o Genário me chamou para almoçar com ele. Fui e almocei bem, como de costume. Encontramos com outros motoristas almoçando por lá. Sentamos junto a eles e o papo foi bom durante a refeição. No fim das contas descubro que tinha que pagar quase 25 reais pelo rango. Faz parte...
      Voltamos ao ônibus para a parte final da viagem. Sono bateu após o almoço, acordei duas horas depois com a pressão nos ouvidos causada pela subida da serra de Petrópolis e depois pela descida. Já passei por este lugar algumas vezes e não canso de contemplar sua alta beleza. Curvas sinuosas, túneis e uma vista espetacular! Muitas vezes passei lá sob forte neblina, o que é comum na região que tem uma altitude de 900 metros acima do nível do mar. Mas quando o clima coopera, sempre admiro toda essa cadeia de montanhas e a ousadia de alguns em morar no meio dessas montanhas. Já em Petrópolis, pouco se vê da cidade. Misturada entre as montanhas, somente vi a rodoviária, algumas casas e ruas que beiram a rodovia. 
       Em certo momento pós-passagem pela “Cidade imperial”, aparece um mirante que sempre me deu vontade de parar e contemplar a vista de lá, mas posteriormente descobri que ele está abandonado e fechado. O formato dele é bem peculiar, sempre me lembrou um disco voador. Assim que passamos por ele, começamos a descer rumo ao Rio, que já surgia no horizonte. Essa vista do Rio de cima da serra é uma das mais belas que já pude apreciar! (FOTOS)
Arquitetura da rodovia na serra (acima)
Mirante abandonado (abaixo)

      A chegada ao Rio que não é das melhores. Lembro da minha primeira vez ali, logo já tive uma péssima impressão... Ao passar pela Linha Vermelha, beiramos a Baía de Guanabara, que naquele ponto, fede a peixe morto. Logo após a maré, vejo aviões pousando, passando bem pertinho da estrada. Estávamos passando ao lado do Aeroporto Internacional Tom Jobim, também conhecido como Galeão. Do outro lado, um pouco distante, mas inconfundível, o famoso Piscinão de Ramos.
  
Piscinão - um dos lugares mais populares do Rio
(FOTO) 
Mais alguns minutinhos de um trânsito carregado, chegamos à Rodoviária Novo Rio. Eram 15:30 ainda, o jogo era só as 18:30 no Engenhão. Agradeci imensamente ao Genário pela agradável viagem. Fiquei por ali na área de desembarque, apreciando os outros ônibus que chegavam. Teria muito tempo ocioso antes de partir para o estádio. Quando resolvi entrar no terminal pelo térreo, estava tudo como era da última vez que estive ali, menos a escada rolante que não funcionava. Subi ao segundo andar e me surpreendi positivamente com as mudanças feitas. Reformaram todo o saguão de vendas de passagens e a área das lanchonetes.
Saguão Terminal Novo Rio
Tudo bem mais moderno, com poltronas acolchoadas, painéis de
led e um piso novinho. (FOTO) Fiquei uma meia hora andando pra lá e pra cá admirando. Pessoas no vai e vem, lojas, painéis e guichês até ligar para casa e avisar que estava bem no Rio de Janeiro. Fiquei ali até umas 17 horas comendo algo junto a uma garrafinha de Stella Artois.
       Desci ao térreo para procurar um táxi. Sabendo da exploração turística que o Rio sempre promove, pressentia que não sairia barata essa corrida até o Engenhão. Mas por ser a primeira vez que iria e também por saber que o bairro onde se localiza o estádio não é dos mais confiáveis para andar disperso, resolvi pagar um táxi mesmo. Fui e logo havia um monte de gente oferecendo corridas. Entrei em um Meriva bem confortável, ar condicionado no talo e TV já com o sinal digital que não conhecia ainda. (FOTO) Estava passando um “amistosinho de meia tigela” da seleção brasileira em Goiânia contra a Holanda. O taxista foi muito simpático e conversou sobre futebol até o destino. No caminho, pela Linha Amarela, começou a chover forte.
 Uns 20 minutos depois chegamos ao Engenhão, mas ainda chovia. Hora de sentir na pele o tamanho da “facada”, o preço da corrida da rodoviária até o estádio: R$ 53.00! Pulei fora e me abriguei em uma marquise do próprio estádio em meio a alguns torcedores do Fluminense. Ainda bem que estava a paisano. Uns 15 minutos depois, a chuva amenizou e fui procurar a bilheteria e portão de visitante. Encontrei uma moça com o colete da Federação de Futebol do Rio e me orientei por ela. Teria que dar toda a volta no estádio para encontrar a Ala Norte, onde os torcedores do Cruzeiro entrariam.
Rapidinho a encontrei e já havia um bocado de torcedores celestes na porta. Comprei meu ingresso que dessa vez tava de boa: R$ 20. Logo entrei e já pude perceber a bela arquitetura desse novo estádio do Rio, já que o Maracanã fecharia também para obras da Copa. Ficamos atrás de um dos gols a espera de um jogo melhor que os anteriores. A chuva continuava e com vento, o que fazia todos a ficarem na parte superior das cadeiras.
Engenhão quando cheguei (acima)
Faltando poucos minutos para o início do jogo (abaixo)

Ainda faltava quase meia hora para o jogo começar, tirei algumas fotos que hoje restaram duas. (FOTOS) O goleiro do Cruzeiro naquela oportunidade não seria o Fábio e sim o Rafael, um bom garoto da base que teria sua chance. Ele veio para o gramado se aquecer e a torcida deu sua força. Pouquíssima gente no estádio, talvez por causa da chuva. A torcida do Cruzeiro era até certo ponto boa, mas a do Flu deixou a desejar. Se não engano, no total havia pouco mais de 4 mil pessoas ali. 
O jogo começou e com ele a esperança de ver uma vitória. Um começo meio truncado, mas com o Flu em cima, criando as melhores chances. O Cruzeiro teve umas três chances, mas todas sem direção. Confirmando sua supremacia, em bola parada pelo lado esquerdo de seu ataque, o tricolor abre o placar com Rafael Moura, o He-Man, de cabeça. Essa zaga do Cruzeiro já preocupava nas bolas aéreas. Fiquei ouvindo, no intervalo e durante o segundo tempo, um dos caras que fazem o futebol pelo rádio ter a emoção que tem. Um dos ícones da locução esportiva e um dos que me inspiram em minha carreira radiofônica... José Carlos Araújo! (FOTO) 

       A segunda etapa começou um pouco diferente, com um Cruzeiro mais incisivo no ataque, mas não criava chances concretas de empatar o jogo. Até que no meio do segundo tempo, num contra ataque rápido, Anselmo Ramon empata e a vibração toma conta da galera celeste no Engenhão. Nesse momento viro pro lado e vejo um pouco distante de mim, um senhor mais um rapaz com um cartaz que dizia: “Divinópolis-MG está aqui!” Fiquei feliz de não ser o único representante de minha cidade naquele jogo. Mas a alegria durou muito pouco, uns 5 minutos depois, em mais um vacilo, Rafael Moura de novo, agora pelo chão, invade a área e chuta cruzado fazendo 2 a 1 pro Fluminense. (FOTO)
Rafael Moura, autor dos dois gols do Flu
Mais uma derrota vista nesse começo de campeonato e logo no dia de meu aniversário. Que presente! Após a partida, toda a torcida do Cruzeiro ficou retida no estádio por mais de 40 minutos, para evitar possíveis confrontos com a torcida contrária logo na saída. Já se aproximava das 21:30 quando tivemos autorização para sair do estádio. Ainda chuviscava, quando comecei a caminhar rumo à estação de trem do Engenho de Dentro, que fica do outro lado do estádio. Afinal, não pagaria a bagatela que paguei de táxi também na volta né? A opção que encontrei foi ir para a Central do Brasil de trem, pois não havia nenhuma estação mais próxima da rodoviária. Cheguei à estação e já estavam fechando. Havia só mais um trem a passar. Estava bem vazia, tranquila. Fui à bilheteria, comprei meu bilhete de R$ 2.50 e desci para a plataforma. Fiquei um bom tempo esperando o trem. Nisso, consegui ver algumas mensagens de texto que havia recebido me felicitando pela data. Mas eu tinha que estar ligado em cada passo meu, pois estava no Rio, onde qualquer dispersão pode acabar em alguma situação desagradável. Enfim, o trem para a Central passou e logo me acomodei. (FOTOS) 
Entrada da estação de trem ao lado do estádio (acima)
                 Plataforma de embarque (abaixo)


Estava bem tranquilo, mas evitei ficar só. Sentei-me próximo a um rapaz que também subiu no Engenho e parecia, aparentemente, ser de boa índole. Foi uma experiência e tanto viajar por estes trens do Rio. Era só olhar para as conexões, seja com o vagão da frente ou com o de trás, via-se estes balançando para os lados, dando uma enorme sensação de que iam descarrilar a qualquer momento. Olhei em volta e todos estavam tranquilos, então sosseguei, pois parecia ser rotineiro. Numa das estações que paramos, entrou um grupo de transformistas e/ou travecos no mesmo vagão em que estava, fizeram um fuzuê e rapidamente desceram. Nisso percebi também que havia um grupinho meio suspeito no vagão de trás, numa parte escura. Fiquei um pouco apreensivo, mas cheguei bem à Central. 
    Mal conhecia a região, era minha primeira vez também em um dos locais mais simbólicos da capital fluminense. Mal pude observar o local onde passam milhares de pessoas por dia, que também foi palco e inspiração de uma das grandes produções do cinema nacional. (FOTO) Assim que saí do trem, mesmo podendo correr riscos, abordei o rapaz que estava próximo a mim no vagão para perguntá-lo a respeito de um ponto de táxi para chegar à rodoviária. Graças a Deus, o rapaz foi bem simpático e instrutivo. Orientou-me ali dentro e me indicou, já do lado de fora da estação, onde poderia pegar este táxi. O agradeci e dirigi-me à rua lateral da estação, onde poderia encontrar minha condução para a rodoviária. Graças a Deus, o rapaz foi bem simpático e instrutivo. Orientou-me ali dentro e me indicou, já do lado de fora da estação, onde poderia pegar este táxi. O agradeci e dirigi-me à rua lateral da estação, onde poderia encontrar minha condução para a rodoviária. 
        Começava a ficar um pouco preocupado, pois já eram 22:10 e meu ônibus de volta sairia às 22:30. Não havia nenhum táxi naquele ponto indicado, então comecei a andar por ali tentando uma sorte melhor. Ao encontrar um que estava do outro lado da rua, o gritei e atravessei correndo. Em vão. Acho que o taxista achou-me suspeito e saiu vazado. Aí comecei a me preocupar pra valer, achando que não conseguiria voltar naquele horário programado. Até que num semáforo bem próximo a mim, para um táxi. Pensei que ele já estava com passageiro e hesitei em perguntar, mas veio-me uma luz para que eu perguntasse. O abordei, já com medo de o motorista me ignorar como o outro. Mas dessa vez deu certo, ele estava vazio e topou me levar à rodoviária, que ficava há uns 10 minutos dali. Esta volta de trem e táxi, saiu bem mais em conta que a corrida de ida: R$ 15. 
           Rapidamente chegamos à rodoviária, quando me dou conta que eram 22:25. Ainda achando que daria tempo de voltar no ônibus da Cometa de 22:30, corri ao banheiro para trocar de roupa. O banheiro é no segundo pavimento do terminal. Corri como um louco para chegar lá. E numa velocidade jamais feita antes, vesti meu “fardamento”. Vestir social não é nada fácil. Imagina ter que colocar sapatos, camisa para dentro da calça e gravata em menos de um minuto? Saí de novo em disparada rumo à plataforma de embarque que fica no piso inferior. Às 22:30 em ponto, chego. Ofegante,chego ao local de embarque. Ainda havia passageiros tomando seus lugares... Incrivelmente o alcancei em tempo. Voltei para BH de novo em um “Dinossauro”. (FOTO)
Modelo CMA-Scania que ainda rodava

Na busca por um lugar tranquilo, vi que o ônibus estava cheio e acabei sentando no fundo, ao lado de um rapaz. Ele estava junto a mais uns três, que estavam nas poltronas de trás e que também gostavam de ônibus. Tanto que soltaram a seguinte frase, que passaria despercebido de qualquer outro passageiro: “Uai, um da Gontijo viajando na Cometa?” Logo respondi: “Somos concorrentes, mas não inimigos.”       Daí em diante, pelo menos até Barbacena, fomos num papo agradável sobre empresas de ônibus e respondendo algumas curiosidades deles quanto à empresa na qual eu trabalhava. Depois de um breve cochilo, às 4 da manhã chegamos a Belo Horizonte. Despedi-me dos caras e fui pegar meu carro no estacionamento. Ao sair, uma surpresa boa. Imaginei que o preço da estadia de meu carro fosse dar uns trinta reais, só que numa pane do sistema da administradora, foi cobrado o preço de uma hora e não de quase dois dias! Às 6 horas da manhã já estava em casa e no mesmo dia à tarde, voltaria a trabalhar. Voltando do Rio com mais esta derrota, começavam os rumores na rodoviária de Divinópolis de que o problema era comigo. Já estavam me chamando de pé frio! Passaria a lidar com bom humor todas essas brincadeiras... 
          Próximo desafio, também no Rio, seria dali há três semanas diante do Vasco em São Januário. Estádio acanhado em um ponto nada bem localizado... Vem mais aventuras por aí!



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