Voando
para perder dois gols...
Meus
amigos e companheiros de trabalho no terminal rodoviário de Divinópolis
passaram estas três semanas de intervalo entre uma viagem e outra, batendo na
tecla de que os problemas do Cruzeiro neste começo de campeonato era por causa de
minha presença nos jogos. O assunto de que eu era “pé frio” já soava com
naturalidade, principalmente após a vitória em Sete Lagoas diante do Coritiba,
por conta de eu não ter ido lá. Alguns até me perguntavam se eu tinha certeza
que iria voltar ao Rio para ver o jogo contra o Vasco.
Eu sempre respondia positivamente, cravando a minha presença. O Cruzeiro não começou bem aquele campeonato de 2011, já haviam sido disputados 6 jogos, com a primeira vitória saindo apenas no quinto, contra o Coritiba. Três empates, diante de Palmeiras, Santos e América em casa. E duas derrotas, ambas fora de casa, contra Figueirense e Fluminense, com a presença de minha pessoa exatamente nas duas derrotas. Na semana do jogo, o assunto ficou ainda mais intenso e a insistência para que não fosse, foi tomando conta de cada conversa comigo. De tanto ouvir isso, arrisquei dizer, que mesmo sabendo o quão era difícil conseguir uma vitória em São Januário, que iria para trazer os três pontos. Riram de mim mais um bocado, mas me mantive firme em minha previsão, torcendo para que o Cruzeiro me ajudasse nessa.
Era
o primeiro jogo num meio de semana que iria assistir in loco. Quarta-feira, 29 de junho. Com ele mais uma ansiedade. Não
trabalhei neste dia. Dormi bem e por volta de 11 horas da manhã parti de carro
para Belo Horizonte. Desta vez não iria de ônibus para o Rio, aproveitei uma
promoção aérea da Webjet que havia bilhetes de BH para o Rio a R$ 49,90.
Resolvi aproveitar para fazer um trajeto
diferente. Só estava meio ressabiado quanto a viajar por esta empresa, devido a
alguns relatos sobre a qualidade de suas aeronaves. Sem hesitar em tentar provar
aos meus amigos de que o problema não era minha presença lá, fui sem medo.
Cheguei à rodoviária de BH por volta de 12:45. Deixei o carro, mais uma vez, no
estacionamento coberto e dirigi-me ao guichê da Unir comprar minha passagem
para Confins. Isso feito, parti as 13:00 para o aeroporto.
Praticidade
impressionante, em menos de 5 minutos estava tudo pronto para meu embarque às
15:30. Não eram nem 14:30 e já estava só no aguardo do embarque. Para passar o
tempo, andei o terminal inteiro. Observei os enormes painéis que informavam
chegadas e partidas, subi e desci escadas rolantes e rampas, sentei e ouvi
música, tomei um sorvete... Até eu me lembrar de um lugar que, quando fui pela
primeira vez lá, aos 12 anos com a escola, ficou marcado em minha memória: o
terraço panorâmico do aeroporto. Logo, fui verificar se ainda havia este
espaço. Ao lado de um dos portões de embarque, vi a placa indicando o local.
Subi alguns degraus e me surpreendi com as melhoras do lugar. (FOTO) Antes não havia a
parede de vidro que há hoje, onde se avistam os pousos e as decolagens. Da vez
que fui com a escola, só havia um para-peito, onde todos se debruçavam para ver
e, principalmente ouvir, aqueles gigantes do ar. Lembro-me do quanto era quase
ensurdecedor o barulho das turbinas. Hoje, há uma parede de vidro acima do
mesmo para-peito e a área também está coberta, antes era aberta. Fiquei ali,
admirado com a beleza que ficou após a reforma. Colei logo no vidro para ver os
aviões manobrando na pista, descendo e subindo. O barulho foi bem amenizado com
a colocação do vidro, mas o lugar continua me fascinando.
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| Terraço Panorâmico - Confins |
Fiquei
ali por um bom tempo, tanto que me esqueci do embarque. Diferentemente do
ônibus, teria de me apresentar com no máximo com 10 minutos de antecedência
para que sejam dados todos os avisos antes de começar as manobras para a
decolagem. Fui sossegado para o primeiro portão de embarque. Passei pelo
detector de metal e direcionei-me ao segundo portão que dá para o avião. Andei,
andei e não encontrei este último. Já eram 15:25, quando encontrei um
funcionário da Webjet que me orientou, meio com cara de “isso são horas? Já era
pra você estar lá dentro!”. Tive que correr pelo corredor de acesso ao avião
para não perdê-lo de bobeira. Quando entrei, parecia que eu era o culpado de um
crime, todos me olhando torto e as tripulantes já dando os avisos de segurança.
Acomodei-me
e rapidamente já começamos a nos mover pela pista. Para mim, a melhor parte de
uma viagem aérea é ainda em terra. Paramos na cabeceira da pista e pegamos uma
velocidade alucinante! Adoro ficar grudado na janelinha para ver tudo lá fora
passando como um foguete! Pena que dura segundos, mas é o mais legal. Mal
começamos a subir e já surgiu a bela vista de Belo Horizonte, do alto. Fizemos
uma curva à direita próxima a Serra do Curral, bem bacana!
Daí em diante, não
há muita graça em voar. É tudo tão tranquilo, que parece que estamos parados. Observei
o porquê de Minas ter o seu relevo chamado de “Mares de Morros”.(FOTO) Da janela só
se via montanhas. Cidades, pareciam pequenos formigueiros na imensidão do
território mineiro. Rápido e “rasteiro”, com 35 minutos de viagem, já
começávamos a ver a maravilhosa vista aérea do Rio de Janeiro. O procedimento
de descida foi feito e em menos de 5 minutos pousamos no Aeroporto Santos
Dumont, bem perto do centro do Rio, à beira da Baía de Guanabara. Um
desembarque tranquilo. As 16:30 já estava transitando pelo saguão. Comprei algo
para comer e fiquei por ali, o jogo era só as 19:30 em São Januário. Sentei-me
num canto do saguão, observando o movimento, ouvindo uma música, ligando em
casa... Foi assim até umas 17:15, quando fui encontrar um táxi que me levasse
para o estádio. Só esperava não pagar tanto quanto foi para ir ao Engenhão.
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| Mares de Morro |
Facilmente
consegui um táxi e mais uma vez com a sorte de ser um taxista simpático e que
gosta de futebol. Descubro que ele é flamenguista, logo o associo ao Cruzeiro
por conta da rivalidade. Ele prontamente diz que é mineiro desde criancinha.
Pegamos um trânsito bem lento na Avenida Presidente Vargas, um dos principais
corredores rumo à região de São Januário. Ainda bem que saí do aeroporto com
tempo, aproveitamos para conversar sobre os times cariocas. Sabendo que Ronaldo
Fenômeno jogou no Cruzeiro em seu começo de carreira, ele me mostra o campo do
São Cristóvão, time carioca onde Ronaldo deu seus primeiros passos com a bola
no pé. (FOTO)
Não
demorou muito, uns 10 minutos depois de passarmos por São Cristóvão, começo a
perceber as características já contadas a mim antes, sobre os arredores do
estádio do Vasco. As ruas se estreitam de repente, viram quase vielas. A região
de São Januário é considerada uma das mais perigosas do Rio, rodeada de favelas
e pessoas nada amistosas. Felizmente, o nobre taxista me deixou em frente à
bilheteria e ao portão da torcida visitante. Não precisei andar quase nada, só
atravessei a rua. Ainda faltava mais de uma hora para o início do jogo, mas eu
prefiro e gosto de chegar bem antes para garantir um bom lugar. Um precinho
também camarada do ingresso desse jogo: R$ 20. Comprei e logo entrei.![]() |
| Local onde ficou a torcida cruzeirense |
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| Lúcio de Castro - jornalista |
Segundo
tempo começou com o Vasco a todo vapor em cima do Cruzeiro. Fábio pegando bem,
a zaga bem postada e mesmo assim o Vasco chegava com bastante perigo. O
Cruzeiro ainda não havia oferecido perigo na segunda etapa, fazendo com que eu pensasse
na derrota novamente. Para eu não ficar pensando muito nisso, comecei a tirar
fotos e gravar o vídeo que fazia em todos os estádios que havia ido. E nessa de
gravar o vídeo, pintou um escanteio para o Cruzeiro do lado direito.
Eu ali focado no canto da Máfia Azul, surge um
cruzamento perfeito, na cabeça do Leandro Guerreiro e... (FOTOS)GOOOOOOOOOOOOOLLLLLLLLLLLLLL! Vibramos muito e só depois fui perceber que ainda gravava toda a nossa vibração na hora do gol. Cruzeiro 1 a 0, na hora em que menos esperava que isso fosse acontecer.
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| Blogueiro vibrando com o gol |
Não
tive escolha. Os caras vivem lá e sabem das coisas, eu não iria ser contra. O
Vasco pressionava muito. Quando aos 40 minutos, ele me pergunta se eu iria
embora também, porque ele estava indo. Não hesitei, fui caminhando. Desci as arquibancadas
sem tirar o olho do campo. Nisso, liguei meu MP4 em uma rádio para pelo menos
ouvir este final sofrido. Saímos do estádio e por sorte havia três táxis
exatamente em frente ao nosso portão. Despeço-me do camarada, que seguiria para
Copacabana. Eu segui para a rodoviária num outro táxi. Ainda muito aflito,
ouvia atentamente o restante do jogo, sem trocar uma palavra com o taxista.
Pouco depois de sairmos de perto do estádio, ouço o golaço do Montillo narrado
com pouca ênfase pela rádio carioca. Quase não acreditei, diante de toda a
pressão que o Vasco fazia. Vibrei muito dentro do táxi, mesmo sem saber se o
taxista era vascaíno ou não, afinal ele mal abriu a boca.
Além
de mal falar, quase nos botou numa situação delicada. Na correria que ele estava
na Avenida Brasil, certa hora ele queria ultrapassar um carro que não cedeu.
Mesmo assim, ele continuou forçando pela esquerda, até que surge um canteiro de
concreto para dividir a pista. (FOTO) Ele forçou até o último segundo.
Achei que íamos
bater nesse canteiro, quando ele freou bruscamente a ponto de cantar pneu e
deixou o carro que ele queria passar ir embora. Ele xingou o outro motorista, eu só respirei fundo. Pouco depois disso,
sai um pênalti a favor do Cruzeiro. Mas depois desse susto, não tinha mais forças
para comemorar. Roger cobrou e fez 3 a 0 Cruzeiro, no exato momento em que
chegamos à rodoviária. Nem quis comemorar, só paguei a corrida e saí o mais
rápido possível daquele carro. No fim das contas, perdi dois gols. Mas estava
super satisfeito pela vitória que prometi e estava levando de volta para
Divinópolis. Cheguei até com tempo à rodoviária. Troquei de roupa, pus o meu
uniforme. Ainda andei um pouco e comi algo antes de descer para a plataforma.
Mais uma vez eu voltava com o pessoal da Cometa no horário de 22:30.
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| Entroncamento do quase acidente |
Não
tive nenhum problema novamente, os companheiros foram simpáticos e voltei à BH
novamente num “Dinossauro”. Dessa vez, vi pouca coisa do caminho. Não sei se
pelo cansaço do dia ou pelo susto final, acabei dormindo durante quase todo o
caminho. Raramente isso acontece, mas quando acordei, já estava chegando a BH
às 4 da manhã. Peguei meu carro, torcendo para que a pane do sistema deles se
repetisse. Mas isso não aconteceu, pelo menos estava preparado. Quase 6 da
manhã, já estava em casa. À tarde, segui para meu trabalho e zoei quem me
chamou de “pé frio”.
Seria
a redenção? O Cruzeiro engrenaria no campeonato? Sei que esta vitória tirou um
grito entalado em minha garganta... Continuem ligados, que a saga está só
começando. Muita história vem nas próximas viagens. São Paulo chegaria em
breve!











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