A
arte se perder um belo gol por conta de bobagem
Duas
semanas após o fiasco daquele jogo contra o São Paulo, onde o futebol do
Cruzeiro ficou a quem da camisa histórica que vestia, voltava a capital
paulista para entrar num “ninho de cobras”, ou de gaviões. A torcida do
Corinthians não é nenhuma “flor que se cheire”, mas nem passava pela minha
cabeça deixar de ir por este motivo.
Os
planos já estavam praticamente traçados. Já que era quase o mesmo caminho para
o Morumbi, só que sem o ônibus. No meio da semana, recebi um convite inesperado
que me motivou ainda mais para esta partida.
Um amigo de infância, que não via há um bom tempo, esteve de passagem por Divinópolis e quando voltava para São Paulo, nos reencontramos na rodoviária. Com tamanho entusiasmo contei-lhe sobre meus planos. O amigo em questão era o Tó, apelido de infância, seu nome é Antônio Sérgio.(foto)
Mesmo sendo atleticano, soube compartilhar de minha alegria e
me convidou para conhecer sua casa e os atrativos que Sampa tem, os quais ele
enfatizava como se fosse de outro mundo. Claro que topei e fiquei ainda mais
ansioso para a viagem.
Um amigo de infância, que não via há um bom tempo, esteve de passagem por Divinópolis e quando voltava para São Paulo, nos reencontramos na rodoviária. Com tamanho entusiasmo contei-lhe sobre meus planos. O amigo em questão era o Tó, apelido de infância, seu nome é Antônio Sérgio.(foto)
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| Craque Tó. Brother do blogueiro |
Não
tinha nem que planejar o caminho, como fazia nas viagens anteriores. O caminho
para o Pacaembu era quase o mesmo para o Morumbi, sem os 40 minutos de ônibus.
O domingo chegou e mais uma madrugada a todo vapor para Belo Horizonte. A
viagem mais rápida que já fiz para a capital, quase ninguém na MG-050 e alguns
poucos nas BRs 262 e 381. Uma hora e quinze minutos, esse foi o exato tempo que
fiz este percurso que nos tempos de hoje, é quase impossível de se fazer em
quaisquer outros horários. Carro no estacionamento da empresa e lá fui eu achar
um ônibus qualquer da Gontijo que estivesse de passagem, para seguir novamente
à capital paulista.
Nesse
meio tempo reencontrei o Daniel, aquele mesmo que estava em Ribeirão Preto
quando na primeira viagem, quase perdi minha mochila. Fiquei muito satisfeito
em revê-lo e vi que foi recíproco. Mais uma vez o agradeci pelo empenho daquele
dia e que ele se tornou importante para que tudo aquilo se realizasse. Logo já
imaginava que eu estava ali tão cedo por algum motivo e me perguntou se eu
continuava minha planejada saga. Respondi positivamente, disse que estava indo para
São Paulo ver o jogo contra o Corinthians e que precisava de algum ônibus por
aquele momento descendo para lá. Me respondeu apontando para um motorista da
São Geraldo que chegava no setor de tráfego do ponto de apoio. Este assumiria em
BH, o carro que vinha de Mossoró – RN e ao saber que queria ir para São Paulo,
não negou a carona. Ficamos nesse papo por mais uns dez minutos, quando venceu
o prazo de intervalo do carro. Despedi-me do Daniel que me provocou. Pediu para
eu esquentar o pé e trazer uma vitória. E assim, com mais esta “pressão”,
embarquei no Mossoró x São Paulo.(foto)
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| Ônibus modelo Jumbuss que me levou a São Paulo |
Quase
amanhecendo, partimos. Não havia mais lugar na janela, geralmente essas linhas
oriundas do Nordeste vão cheias e desta vez não foi diferente. Sentei-me ao
lado de um rapaz no meio do ônibus. Puxei os fones de ouvido e tentei cochilar
nesta primeira parte da viagem até Perdões. Mais uma vez fui impedido, desta
vez por um rapaz que a principio estava sentado mais a frente. O cara falava
tanto e tão alto, que mesmo com a música mais alta nos meus ouvidos, a sua
incrível voz chegava à minha mente. Bom, como o restante do pessoal já estava
há mais de trinta horas no ônibus, pareciam estar acostumados e conformados com
ele. De tão acostumados, colocaram um apelido nele: “Periquito”. Fácil saber o
por que... No fim das contas, desisti da música e entrei na onda das
brincadeiras e frases sem nexo do Periquito, que me pareceu estar meio alterado
alcoolicamente. Contava altas histórias dele e de seus familiares do Nordeste,
envolvendo um a um no ônibus. A vantagem é que deu a sensação de que a viagem
rendia e sem perceber, chegamos a Perdões. Nem desci, aproveitei para ficar um
pouquinho sem o tagarela do Nordeste. Tudo que é bom, dura pouco. Todos a
postos, menos o Periquito. Hora do pessoal começar a xingar, por conta de um
provável atraso na chegada a São Paulo. Pouco tempo depois, eis que aparece a
peça. Com um sorrisão no rosto, ele nem imaginava o tanto que a maioria do
pessoal estava nervoso com todo aquele atraso. Porém, do nada toda essa revolta
se foi por água a baixo. O vimos lá no começo do ônibus, com uns saquinhos a
mão, distribuindo balas a todos do ônibus, sem exceção. Até eu e o motorista
que em tese não fazíamos parte daquilo que ele vivia com os demais desde o sertão,
entramos na brincadeira de “São Cosme e Damião” que fazia ali. Todos
adocicados, continuávamos a desbravar a rodovia Fernão Dias, rumo a parada do
almoço dali há três horas em Camanducaia.
E
quem disse que o Periquito parou de contar seus papos? Que nada, ia de um lado
para o outro no ônibus, inquieto e falante. Até achar o rapaz que estava ao meu
lado, chamando-o de “Pau-dos-Ferros” (referindo-se à cidade de origem daquele
rapaz). Sentou-se na poltrona a minha frente e de joelhos virou-se para trás,
começando uma conversa maluca com este rapaz que mal falava, só ouvia meio
assustado o repertório de histórias do Periquito. Segundo ele, Pau-dos-Ferros–RN (foto) tem uma importância muito grande em sua vida, por ser a cidade-natal do amor de
sua vida...
E assim ele começou uma longa, e muitas vezes confusa história que
perdurou quase duas horas. Não dei conta de aguentar, pus novamente os fones, mesmo
sabendo que seria em vão. As músicas, junto da voz do Periquito formaram uma
melodia tão branda que acabei cochilando. Pouco antes da próxima parada,
acordei assustado, exatamente com o Periquito. Aparentemente havia finalizado
suas histórias de Pau-de-Ferros, passando como uma bala pelo corredor,
esbarrando em meu braço. O cara estava alterado, mas parecia uma criança. E
nessas andanças, um dos passageiros o para e pergunta sobre seu nome. Todo o
ônibus virou-se em atenção para este importante ponto que ninguém havia tido
coragem e ousadia de perguntar. Todos em silêncio. Fiz questão de tirar os
fones e me ligar nessa. Ao longo de todo este trecho que eu estava no ônibus,
não tinha visto o Periquito murchar tanto. E não era para menos, ele estava
todo encabulado de falar sobre esse assunto. Tentou despistar, desviando para
outros papos, mas acabou não resistindo a pressão da maioria e começou a
destrinchar a história do seu nome. Segundo ele, sua mãe queria lhe colocar um
nome tipicamente nordestino, mas diferente dos tradicionais. Continuou contando
que sofria inúmeras gozações na escola e em qualquer outro lugar que fosse, por
causa de seu nome nada normal. Ainda complementou dizendo que até então, havia
conseguido a proeza de encontrar apenas uma pessoa com o mesmo nome dele, era
um senhor de 70 e poucos anos, lá de São Bernardo do Campo, onde ele morava. A
ansiedade e curiosidade já tomava conta de todos, por mais que ele tentasse
enrolar, não escaparia da resposta. Já estávamos chegando à parada do almoço em
Camanducaia e achava que o desejo dele era que chegasse logo, para tentar fazer
com que o pessoal esquecesse o assunto. Que nada, toda vez que o assunto
debandava, tinha sempre alguém para lembrar que o mais importante naquele
momento era saber o nome do Periquito.
Ele meio ou totalmente sem graça, começou a falar um pouco baixo, em
contraste com toda a viagem. Uns caras lá no fundo começaram a reclamar que não
estavam ouvindo, que queriam saber desta parte importante da viagem. Aí, o
Periquito resolveu desabafar: “Estava tão satisfeito que vocês tinham inventado
esse apelido para mim que achei que ia passar ileso sobre isto até São Paulo.
Como foi inevitável, acabaremos logo com esse suspense”. Acho que nesse momento
até o motorista deveria participar, mas era o único, devido a separação da
cabine, a ficar de fora desse momento. Eis que a declaração sai mais naturalmente
que pipoca pulando do fogo. “Pessoal, eu me chamo ELESBÃO!” Disse em alto e bom
som para que todos ouvissem claramente apenas uma vez. Um silêncio brutal tomou
conta daquele ônibus, por mais que isso fosse motivo para altas risadas e
zoeiras. Esse silêncio foi quebrado pelo próprio Periquito, que voltou às suas
maluquices enquanto alguns esboçavam cochichar sobre a “cereja do bolo” daquela
viagem. E assim, chegamos a Camanducaia para almoçar.
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| Praça matriz da cidade potiguar citada |
Não
é de agora que falo bem dessa parada, um lugar muito gostoso, agradável e com
uma ótima comida. Meia hora depois, todos empanturrados, seguimos para a parte
final da viagem, que até ali já tinha valido por três. Pela primeira vez consigo ouvir o barulho
lindo do motor Scania daquele ônibus. Um silêncio monumental que fez muita
gente tirar aquele cochilo básico após o almoço de domingo. Creio que isto
permaneceu por uma hora, das duas que restavam. E quem foi o responsável por
acordar o povo? Sim, o Periquito, ou Elesbão! Acho que ele pensava que tinha dormido
mais de oito horas, pois acordou de seu raro soninho num pique ainda maior. Quando
a megalópole paulista surgiu no horizonte, ele ficou todo empolgado. Cantando
em verso e prosa sua admiração por São Paulo, fazendo com que todos olhassem
pela janela a bela vista que tínhamos a partir da descida da Serra da
Cantareira. (foto)
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| Chegada a Sampa |
Quase
uma hora de descida e com o aumentar do transito, já respirávamos ares
paulistanos. Pouco antes da chegada ao Terminal do Tietê, uma surpresa muito
agradável e até emocionante: Periquito fez questão de ir de banco em banco
cumprimentar e agradecer a cada um pela paciência e companhia na longa viagem.
Duas
e quinze da tarde, “aportávamos” no Tietê. Cada um tomou o seu destino, seja
reencontrar familiares, começar uma nova vida ou apenas assistir a um jogo de
futebol. Já me sentia em casa, andava pela rodoviária como se fosse Divinópolis.
Não demorei muito a ir para o metrô, desta vez não precisava da “peregrinação”
que fiz para chegar ao Morumbi. O Pacaembu é bem central e em torno de meia
hora já estaria no mais tradicional estádio paulistano. Mesmo sendo um domingo,
rapidamente o metrô passou e lá fui eu em mais uma aventura para ver o Cruzeiro
jogar. Aos poucos fui percebendo o vagão em que estava se encher de “gaviões”.
Pelo jeito, teríamos casa cheia. Ainda bem que estava a paisano, a fama de
encrenqueiros que os Corintianos tinham, fazia com que eu ficasse um pouco
preocupado.
Tudo
nos conformes e após uma escala na estação Paraiso, cheguei à estação Clinicas,
onde desembarquei e pude ter um pouco de noção do quão numerosa e fanática é a
torcida do Corinthians. Ao sair da estação, ainda a uma hora do começo do jogo,
um mar de gente, vestidos de preto, seguiu como uma procissão, rumo ao estádio
que estava perto dali. Não tinha escolha, me infiltrei em meio aos
“maloqueiros” e caminhei ao estádio.(foto)
Sem que eles percebessem, destoei ao virar
a esquerda numa rua que daria até o portão dos visitantes. Já entre a galera
celeste, não tive dificuldades em comprar meu ingresso e de imediato fui ao
portão. Diferentemente de outros lugares que fui, o segurança fez uma minuciosa
revista em mim e em minha mochila. Retirou tudo que havia ali, conferiu que não
havia nada além de meu uniforme, e deixou que eu me virasse para colocar tudo
de volta. Coloquei cuidadosamente no lugar para não passar a vergonha de voltar
com o uniforme amassado. Enfim, misturei-me à “China Azul” no Paulo Machado de
Carvalho.
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| Galera do Corinthians rumo ao campo |
Aos
poucos, tanto nós cruzeirenses, quanto os corintianos começávamos a encher o
estádio, dando inicio a uma festa que em pouquíssimos lugares havia visto.
Ficamos num canto da arquibancada, próximos ao “tobogan”, famosa parte do
estádio que fica atrás de um dos gols onde ficávamos zoando os corintianos o
tempo todo. Acomodado e um pouco distante da organizada, como de costume,
comecei a cantar junto, até que chegasse a hora da bola rolar.(fotos)
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| Clima do estádio no dia. O blogueiro em destaque ligado no jogo |
Times em campo, festa armada e casa cheia. Saudamos nosso time que veio com seu tradicional azul celeste no uniforme. Primeiro tempo movimentado com uma leve superioridade do Corinthians, que criou algumas chances perigosas. A única oportunidade do Cruzeiro foi com o péssimo lateral direito Vitor que chutou em cima do goleiro Renan, que estreava pelo Timão. Ele ainda nos traria alegrias... Diante de todos os lances dessa primeira etapa, um me chamou a atenção e não foi dentro de campo. Uma equipe do Pânico na TV estava infiltrada em nossa torcida. Percebi o Carioca, um dos integrantes desse programa humorístico, disfarçado de Samuel Rosa, vocalista do Skank e um dos mais ilustres torcedores do Cruzeiro. (vídeo Reportagem Pânico) Se fosse só ele ainda estaria tudo bem, mas havia uma movimentação maior da galera da organizada em ficar atrás dele. Havia um algo mais. E que algo! Mesmo na minha, consegui perceber que o Carioca estava bem acompanhado. Uma paniquete das mais gostosas estava ao seu lado e atraia os olhares de todos, principalmente esses que estavam bem perto. Uma loiraça daquelas bem potrancudas! Estava usando um shortinho bem cavado para delírio da homaiada. Juro que mesmo vendo de não tão perto, fiquei impressionado com tamanho atributo. Agora não me pergunte o nome dela...(foto)
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| Carioca e sua assistente |
Veio
a segunda etapa e os olhares se revezavam entre a galera da bola e a
semi-despida moça. O Cruzeiro tentava fazer frente ao Corinthians que partiu
pra cima tentando a vitória no embalo de sua torcida. O time paulista estava
invicto em casa e liderava aquele Brasileiro. No intervalo entre um lance e
outro, tento tirar fotos. Saco a câmera e consigo tirar algumas. Mas na hora de
gravar o rotineiro vídeo dos estádios, a câmera começa a dar problemas e não
age de acordo com os comandos. Futrico, reinicio, tiro bateria, aperto daqui e
dali. Tudo isso de cabeça baixa, sem olhar pro jogo e...
GOOOOOOOOOOOOOLLLLLLL!!!!! Não vi. Escutei os gritos e fui na onda. Nem sabia
quem tinha feito e nem como surgiu. Tive que perguntar um rapaz que estava
atrás de mim. O Cruzeiro fazia 1 x 0 no temido Corinthians com um belo gol de
Wallison de fora da área encobrindo o estreante goleiro corinthiano. (foto)
Pelo menos
foi o que me descreveu o companheiro. Só veria pela TV no dia seguinte em
casa... A partir daí, o sufoco foi inevitável. Fábio salvava ali atrás as
chances do time adversário e nós nos contra-ataques. Após uma falta besta no
meio campo, nosso lateral Gilberto foi expulso, deixando-nos com um a menos e
tomando inúmeros sufocos na defesa. Mas seguramos a vitória! Na raça, no sufoco
e até na sorte. Nossa numerosa torcida em São Paulo, em torno de duas mil
pessoas, estava feliz da vida. Cantarolamos e zoamos um monte a torcida deles
que saía do “tobogan”.
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| Wallison. Autor da proeza |
Esperamos
um tempo até sermos liberados. Tirei minha camisa e voltei a ser um mero cara
no meio daquela multidão de volta pra casa. Mais a frente do portão onde
saímos, volto a me misturar aos “maloqueiros”. Todo cuidado era pouco, ainda
mais depois de uma derrota dessa. A todo momento olhava a minha volta tentando
antever algo. Até a entrada da estação do metrô estava indo bem. No
afunilamento para descer as escadas, vejo um pouco mais a minha frente um
pequeno tumulto e discussão sem motivo aparente. Alguns palavrões e empurrões,
a “turma do deixa disso” entrou em ação para que tudo se contornasse. Confesso
que temi por algo pior aí por se tratar de uma torcida com histórico frequente
em brigas até entre si. O tumulto continuava lá embaixo, agora para embarcar.
Com certa dificuldade e acho que até furando fila, consegui comprar meu
bilhete. O sofrimento agora era para passar na catraca. Com algumas espremidas
e leves empurrões passei para a plataforma. O trem chegou e aos trancos e
barrancos entro no vagão que até tinha algumas poltronas livres, mas por
segurança, fui em pé próximo à porta para não perder a descida no Paraíso. Quatro
estações e uns dez minutos depois, desci na estação que faria a baldeação para
o outro trem para o Tietê. Pelo menos saí daquele mundo de gente de preto que
tanto temia...
Esse
trecho foi mais tranquilo e as 19:30 chego de volta ao Terminal do Tietê. Ponho
meu uniforme e estava pronto para voltar para casa com esta bela vitória na
bagagem. Não era pra ser, mas foi minha última passagem pela capital paulista
naquele ano. Embarco as 20:00 no São Paulo x Água Boa-MG da própria Gontijo. Um
Jumbuss modelo 15 mil, rodado, mas ainda confortável. O chofer libera minha
entrada e vejo que o carro estava muito tranquilo quanto a quantidade
passageiros. Vou lá pro fundo, pego uma poltrona sozinho e durmo. Lembro de
pouquíssima coisa dessa viagem de volta. Nunca tinha dormido tanto e tão bem
num ônibus. Vi as duas paradas mas nem arrisquei sair do lugar. 4 da manhã
chego inteiro a BH. Agradeço o motorista pela carona e vou pro carro. Cheguei a
Divinópolis com toda tranquilidade. Mais uma vez peguei estradas vazias e no
amanhecer estava em casa.
Teria
pouco tempo até a próxima viagem que seria no dia seguinte a noite. A
segunda-feira de trabalho foi até mais agradável e relaxante. Aos poucos
parecia que o time não decepcionaria e minha pseudo fama iria pelo ralo.
Goiânia me esperava naquele meio de semana. Estava pronto para conhecer mais
uma capital do nosso futebol.










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