terça-feira, 19 de abril de 2016

O QUE FALTOU EM GOIÂNIA SOBROU EM SANTOS


Como ver o melhor e o pior jogo no mesmo dia.

                Mal havia chegado de São Paulo, quando literalmente não vi o gol da vitória celeste mesmo estando no estádio, um novo desafio me esperava. Já na noite de terça pegaria estrada, pois a viagem dessa vez seria maior. Próxima parada, Goiânia e um dos estádios que mais me gerava expectativa, o Serra Dourada. Mais uma vez, planos detalhadamente traçados, hotel próximo à rodoviária, onde comer, como me deslocar e chegar ao estádio.

         Terça-feira chegou e a sensação de que o tempo passava lentamente tomava conta. Em casa, arrumei minha mochila após o almoço e tirei um cochilo que custou a vir devido a ansiedade. No começo da noite, parti para Nova Serrana de carro. Mesmo tendo boas opções para ir de ônibus, teria de deixar meu carro lá pensando na volta. Seria um risco? Óbvio, mas resolvi arriscar, deixando meu precioso bem, que com muito custo havia adquirido há poucos meses, estacionado no terminal da cidade mais violenta da região.(foto)
Rodoviária de Nova Serrana-MG às margens da BR-262.
E detalhe, o estacionamento era aberto, não havia controle ou qualquer taxa cobrada em prol da segurança dos veículos. Mesmo assim, lá fui eu confiante como sempre. Rotineiramente sob o alerta de “cuidado” e as bênçãos de minha mãe, segui para a cidade vizinha onde por volta de 20:45 estava programado para pegar o ônibus da Gontijo que vinha de Belo Horizonte à Goiânia.
         Pouco mais de meia hora de estrada, chego a Nova Serrana. Até ali, nenhuma novidade, a rodoviária de lá fica no primeiro trevo de acesso à cidade e totalmente visível da BR – 262.  Parei o carro em uma vaga teoricamente estratégica, de frente a principal saída de passageiros e aos guichês de informação e da própria Gontijo. Antes de descer, pensei em algo que poderia me ajudar quanto a estadia do meu carro ali. Passaria meu número de telefone para quem estivesse trabalhando nesses guichês para que, de alguma forma, me avisassem até do pior. Em vão, nenhum desses locais havia pessoal trabalhando àquela hora. Por outro lado poderia ser positivo pelo fato de eu não conhecer estas pessoas. Imagine uma pessoa qualquer saber que tem algo valioso ali e sem o dono por perto, o roubo poderia ser facilitado. Desencanei desses pensamentos e aguardei até quase 21 horas, quando o ônibus encostou na plataforma.
         Não havia nenhum embarque além de mim, o motorista era o Alberto, não o conhecia, mas fez questão de me levar. Fui para dentro do ônibus e me acomodei. Haviam muitos passageiros, mas encontrei um lugar na janela no fundo do veículo. Algumas músicas depois, já fazíamos parada em Luz, para um breve lanche. Essa parada é boa, não há muitas restrições para funcionários de carona. Sentei-me junto ao Alberto e conversamos um pouco sobre nossas funções e torcendo para não me perguntar o motivo da viagem. No finalzinho desse intervalo, chegou o cobrador do carro BH x Ituiutaba para juntar-se a mesa. Ele parecia ser novato, pois estava em dúvida sobre como tirar certa passagem.
Pista simples e muitas curvas. Todo cuidado é pouco na serra!
Ajudei-o com o que eu sabia e agradeceu-me. Voltamos à viagem e a temida subida da Serra da Luz, um dos pontos de maior índice de acidentes naquela rodovia.(foto) Lembro-me da primeira vez que passei ali no ano anterior, quando estava chovendo e com neblina. Dessa vez, o tempo estava firme. Suas intermináveis curvas e no período noturno, exigem muita atenção do condutor. Não consegui pregar os olhos, as músicas e os faróis dos carros no sentido contrário me deixavam alerta. Algumas músicas e este caminho até Araxá fizeram-me lembrar de uma pessoa que ao mesmo tempo me fez bem e mal. Já na madrugada, paramos na rodoviária de Araxá. Não quis descer, a essa altura o sono já pegava. Eram 1:30 da manhã, alguns passageiros subiam e eu tinha de estar acordado para ver se algum era da poltrona onde eu estava. Em 10 minutos voltamos à estrada e nenhum dos embarques era, nem sequer, para o meu lado. Literalmente apaguei. Vi de “meio-olho” que o ônibus parou muito rápido em um posto de Santa Juliana. Fora isso, as enormes retas foram ótimas, pois só acordei na chegada a Uberlândia. Apesar de ainda ser 4:30 da manhã, fiquei impressionado com a grande extensão territorial e o quão plana era esta importante cidade. Em pouco menos de 10 minutos chegamos à garagem da empresa lá. Ponto final para o Alberto. Desci enquanto faziam a troca de motorista e a limpeza do carro. Aproveitei para agradecer ao Alberto e dar uma andada pelo local.
         Agora com o César como motorista, seguimos para a parte final da viagem sem nenhum problema. Retornei ao meu lugar e aos cochilos. Mal vi a rodoviária de Itumbiara, já em Goiás, no começo da manhã, onde alguns desembarcaram.
Parada na Rodovia Transbrasiliana já em Goiás
Uma hora depois, com o dia raiando, fizemos nossa última parada em um posto próximo à cidade de Goiatuba.(foto) Desci para espichar as pernas, a princípio não comeria nada. Mas César insistiu que eu tomasse café com ele, garantindo que ali o pessoal não importava de eu usufruir dos benefícios que dão aos motoristas. Tudo agradável, o local organizado, atendimento gentil de garotas bonitas. Comi um pão com mortadela com um suco de laranja no capricho e no final ainda tínhamos direito a escolher um brinde no caixa! Peguei um Trident preto, agradeci as atendentes e voltei para o ônibus. Conferi o pessoal para o César e partimos para a chegada. Nesse trecho final, fui na cabine com o César, que contava-me histórias sobre esse caminho que fazia há mais de dois anos pela Gontijo. Passava das 9 da manhã quando, pela BR – 153, chegamos à capital goiana com a bela vista dos inúmeros prédios e do estádio Serra Dourada, que fica bem na entrada da cidade, às margens desta rodovia.
         Mais 10 minutos passando pelas largas avenidas de mais uma capital planejada de nosso país, chegamos à surpreendente rodoviária de Goiânia.(foto)
 Surpreendente, pois não é somete um terminal de ônibus intermunicipais e interestaduais, onde passageiros vão e vem todos os dias... Assim que chegamos, esbugalhei meus olhos quando César apontou-me dizendo que era ali. Uma enorme construção e uma mistura que nunca havia visto antes. Os dizeres da fachada aguçavam ainda mais minha curiosidade. Sim, parecia estranho, mas Goiânia conseguiu unir um centro de compras e entretenimento a um terminal rodoviário, o Flamboyant Rodoshopping. Desci e fui muito bem recebido por um de nosso bilheteiros que fazia as vezes de despachante retirando as malas dos passageiros do bagageiro. Despedi-me do César e fui convidado a conhecer as dependências da empresa ali no Rodoshopping. Bem organizada e espaçosa, essa era a nossa bilheteria em Goiânia. O pessoal todo, inclusive o encarregado, pararam tudo para vir me cumprimentar e dar boas vindas. Fiquei por lá uns 15 minutos. Agradeci a receptividade deles e rumei para o Hotel Czar que estava a pouco mais de 200 metros dali. Caminhei e quase de frente para a rodoviária vi um galpão enorme onde eram realizadas as feiras do vestuário. Assim como Divinópolis, Goiânia tinha no pólo têxtil um de seus pontos fortes na economia. Somente 5 minutos de caminhada e cheguei ao hotel. Hora do merecido descanso. Já eram mais de 10 da manhã de quarta-feira, fiquei em um bom quarto, confortável e silencioso. Antes de dormir, tomei um banho de 1 hora, para tirar as dores da viagem. Depois disso, um abraço! Caí na cama e adormeci. Fui acordar lá pelas 15:30. Vi um pouco de TV, vesti a camisa e resolvi ir andando devagar pelo caminho traçado no Google e guardado em minha mente. Caminhando sem compromisso, passei a observar mais ao meu redor, coisa tão difícil na agitação do dia-a-dia. Nesse dia pude admirar as belezas e até a tranquilidade que a capital goiana oferecia. Ruas largas e bem arborizadas, um vai e vem de pessoas bem menos tumultuado que em outras capitais, fatores que deixaram-me com uma boa sensação e uma boa impressão desse lugar. Goiânia tradicionalmente tem um clima muito seco, assim como Brasília, devido a sua localização geográfica no território nacional. Acho que nesse ponto, tive um pouco de sorte, nesta época que fui não estava tão quente e nem com o ar tão seco como na maioria dos meses. Normalmente, quando faço esses tipos de caminhada, gosto de por os fones e ir curtindo um som bacana, mas neste dia fui ao natural (nem tanto assim!) observando e ouvindo tudo que Goiânia oferecia a esse turista futebolístico naquele momento. 
         Mesmo sem sair da rota traçada, atravessei o centro da cidade e ainda tinha mais um pouco de chão para chegar ao Serra Dourada. Ainda estava cedo, planejei uma parada para comer. Dei uma boa olhada em volta para não cair em qualquer lugar, afinal não é nada bom passar mal longe de casa e ainda perder o jogo tão aguardado. Andei uns dois quarteirões, que lá são enormes, tentando achar uma boa lanchonete. Na esquina seguinte encontro uma pastelaria bem arrumada, que na fachada dizia: “Desde 1964”. Animei e fui conferir o que a “Pastelaria do Meu” tinha de bom.(foto)
 Uma lista enorme dos mais variados sabores de pasteis e segundo dizia no quadro ali dentro do estabelecimento, “Há 47 anos, o Rei do Biscoito Frito”. Era a confiança que procurava. Como não almocei, estava “varado” e pedi dois pasteis, mas não me arrisquei em algum sabor exótico. Ao longo do lanche, o rapaz que me atendeu logo puxou assunto, devido à camisa do Cruzeiro que vestia. Falamos de futebol e rapidamente descobri que eram esmeraldinos, torcedores do Goiás. Não só ele, mas a família toda. Chamou seu pai, dono da pastelaria, senhor “Meu”, para entrar na conversa. Veio ele orgulhoso vestido com sua camisa verde. Disse-me que era um prazer receber um cruzeirense ali, porque Atlético é tudo a mesma porcaria em tudo quanto é canto. Fiquei feliz com a receptividade e continuei com a conversa agradável com os dois enquanto atendiam mais e mais gente que chegava. Desses, uns três elogiaram de forma efusiva os famosos biscoitos fritos. Não resisti e, além dos pastéis de primeira qualidade, provei dois dos famosos biscoitos. Simplesmente espetaculares! Sequinhos e saborosos. Sem igual até o presente momento que escrevo esta. No fim, os agradeci e reforcei para que torcessem pelo Cruzeiro naquela noite. Responderam mais que afirmativamente, que era uma satisfação ter um mineiro gente boa na “casa” deles. Peguei uma cerveja e segui meu caminho rumo ao Serra Dourada. 
         Lisonjeado, fiquei pensando nisso o resto do trajeto. Como ser tão bem recebido por pessoas que nunca vi e tão longe dos seus costumes?
Panorâmica da Praça Cívica no centro de Goiânia
Continuei minha caminhada passando por um dos pontos mais importantes da cidade, a praça Cívica.(foto) Um enorme espaço para lazer e cultura, mas que historicamente também é palco de manifestações políticas e festivais de fim de ano. Lá também se encontra o Palácio das Esmeraldas, sede do governo do estado e uma bela estátua de Pedro Ludovico Teixeira, que foi o primeiro prefeito da cidade. Mais a frente, encontro mais uma praça, essa mais acanhada, mas era a referência que tinha de que estava próximo do estádio. E coincidentemente essa segunda praça chama-se Praça Cruzeiro. Ainda quase errei a parte final do caminho entrando em uma rua diferente da traçada. Mas não foi por esquecimento de minha parte e sim pelo nome da rua que dá acesso ao estádio estar diferente da que pesquisei. Voltei, seguindo minha intuição e pesquisa. Mesmo com nomes divergentes, sabia que por ali eu chegaria ao meu destino final. Uma reta de uns dois quilômetros e logo logo no horizonte surgia imponente o estádio Serra Dourada, que fica um pouco mais alto em relação a esta rua de acesso. Raridade em Goiânia é encontrar uma topografia nem que seja um pouco elevada. Historicamente as cidades do Centro-Oeste do país são bem planas, graças às características de relevo. Ao me aproximar do campo, vi do meu lado direito um dos acessos a um dos parques ecológicos da cidade, aliás o principal, o parque Flamboyant. Resolvi dar uma passadinha por lá e conferir esta área verde tão importante da cidade. Andei por algumas trilhas, era fim de tarde, então muitas pessoas se exercitavam, outras batiam papo pelos bancos... Mais um ponto positivo para a cidade! Não estava nos planos, mas foi bacana conhecer mais este agradável lugar em Goiânia. Mal saí por um dos portões laterais e já dei de cara com o estádio.(foto)
Por fora, não parecia tão grande, mas ainda cabem suas 50 mil pessoas facilmente. A noite começava a cair, mas ainda faltava muito para a bola rolar. Não me importei, sempre preferi fazer isso que chegar em cima da hora, evitando qualquer confusão, mesmo sabendo que o público seria pequeno.


Com pouco menos de duas horas antes do jogo, chego. Um enorme estacionamento ao seu redor e a imponência de um dos maiores e mais prestigiados estádios do país, estava a minha frente. Olho para trás e tenho a linda visão do por do sol em meio aos prédios da capital goiana. Subi a rampa do acesso principal contemplando a cidade e o enorme caminhão de transmissão da Globo, que chegava para mostrar esse jogo em Pay-per-view para todo o Brasil.
Lá no alto, de frente ao portão principal, encontro alguns vendedores de camisa e, claro, resolvi aumentar minha coleção.
Cheguei a um deles e garanti uma camisa do rival desta noite por 20 reais.(foto) Aproveitei o pouco movimento para dar uma volta completa ao redor do estádio. Ainda estava muito bem conservado e bonito, vi alguns poucos torcedores do Atlético-GO chegando timidamente, sem tumulto, parecia que o pessoal de lá não estava muito animado. Após isso, fui comprar meu ingresso que estava num preço legal, 20 reais. Quase não peguei fila, tinham 3 na minha frente. Percebi que era ali porque um deles estava com a camisa do Cruzeiro. De tão tranquilo, escutei ao longe, no estacionamento, uma família chegando de carro fazendo um “auê” daqueles. Buzinaço, bandeira, gritos de guerra e uniformizados. Esses sim, chegaram chegando. Comprei e já adentrei. Dessa vez não precisei me desdobrar na revista policial, só mostrei a camisa que havia comprado lá fora que estava em uma sacola e um dos PM’s me orientou a escondê-la o máximo que pudesse, mesmo sendo um jogo tranquilo, era bom prevenir. Camuflei a sacola em um dos bolsos e fui para as arquibancadas. Sim, em tempos de novas arenas ou pelo menos, cadeiras nas velhas arquibancadas, lá estava me sentindo em casa, com cimento batido e pintado de diversas cores. Nunca escondi minha preferência por estádios com “cara” de estádio e não de teatro. Entrei em uma posição privilegiada do estádio, logo abaixo das cabines, na lateral do campo. Achei o máximo, mas logo um dos seguranças me orientou para ir para a parte laranja, atrás do gol à direita, que lá seria o local onde ficaria a torcida celeste.
Diferentemente dos estádios mais modernos de hoje, no Serra Dourada ainda consegue-se deslocar de uma área a outra das arquibancadas sem problemas. Cheguei e me acomodei nesse setor. Até o tempo passar e a bola rolar, fiquei ali vendo o pessoal chegar, “beliscando” um chips e ouvindo música. Nessa espera, acabei conhecendo o Willian, que sentou-se perto de onde eu estava e começou a puxar papo. Disse ser natural de Patrocínio – MG, que há 10 anos morava em Goiânia e sempre que o Cruzeiro ia lá jogar, estava presente. Dessa vez não foi diferente, trocamos ideias sobre a paixão comum pelo time da Toca e as experiências de ver de perto o time do coração. O papo era muito agradável e engraçado. O tempo voou e já estávamos próximo do jogo. A parte destinada à torcida do Cruzeiro foi enchendo e a do Atlético- GO, muitas faixas das torcidas organizadas, mas torcedores mesmo quase contava-se nos dedos. Era nítida que a torcida do Cruzeiro era maior e era a primeira vez que via isso acontecer longe de Minas. Tanta gente que a polícia teve de abrir o espaço abaixo da cabine, que a principio ia servir de divisão para com a torcida adversária. Não estava lotada a nossa parte, mas por precaução, o espaço foi aumentado.
Nossa visão do campo
A torcida deles se acomodava no lado oposto às cabines, então não havia problemas em passar essa parte a nós. Saímos de trás do gol para a lateral liberada, alguns permaneceram lá, mas preferimos mudar. (foto)
Além da melhor posição, o pessoal ali estava mais animado e já cantava, deixando os atleticanos de Goiás atordoados. Continuamos no papo com uma bela vista de uma loirinha estonteante pouco a nossa frente. 
Chegou a hora, Cruzeiro em campo e nossa torcida fez a festa. Eu só queria que a má fase começasse a ir embora, pois agosto já batia a porta e quanto mais demorasse, mais dramático ficaria. Bola rolando e as duas equipes mostraram na prática os motivos (ou a falta deles!) que estes estavam na parte de baixo da tabela. Até a metade do primeiro tempo, ninguém havia sequer chutado a gol. Na primeira pontada dos rubro-negros, vem um cruzamento da direita e o atacante coloca na trave do Fábio. Parecia que a noite não seria das mais agradáveis em termos futebolísticos...
Felipe comemorando o primeiro gol do jogo
O Cruzeiro incrivelmente aceitava a pseudo pressão do adversário e se tornava ainda mais nulo em campo. Para agravar, vem o gol do Atlético-GO. Mais um cruzamento da direita e Felipe, sozinho no segundo pau completa. 1 a 0 para os goianos.(foto) Impressionante como o Cruzeiro não ameaçou o gol do Márcio. Esperava que a segunda etapa fosse um pouquinho melhor e buscar o impossível: o empate! Passei o intervalo inteiro enchendo o ouvido do companheiro de jornada sobre o que nosso time não fez. Segundo tempo em jogo e mais Dragão no ataque. Fábio salvava mais uma vez! Únicos momentos de entusiasmo de nossa torcida naquela quarta-feira foram uma arrancada do Montillo que fez o goleiro deles se espichar e um chute mascado e desviado do Roger que foi para fora. E no que culminou tudo isso? Gol do Atlético-GO! Felipe de novo. Tabela espertíssima com seu companheiro na intermediária, invadiu com tranquilidade a área celeste e chutou cruzado para vencer Fábio. 2 a 0 rubro-negro goiano. O Cruzeiro “morreu” de vez em campo. O adversário só administrava e conseguiu com muita facilidade mais três pontos.
Depois de tanta ruindade de ambas as partes, o menos pior venceu. 2 a 0 para o time de Goiânia e uma apatia sem tamanho do Cruzeiro. Outros diriam: “Você é louco, ir nessa distância toda, num meio de semana, na fase ruim, e para ver isso que viu mesmo?!” Saímos calados e tendo de ouvir zoeiras de atleticanos que estavam nas cadeiras acima de nossa saída. Mesmo com todo esse futebol ruim, já me dava por satisfeito pelo que estava vivenciando. É um pouco estranho dizer isso, mas Goiânia me surpreendeu positivamente. Despedi-me do Willian que rumava para o bairro onde morava.
Coletivos da capital goiana
Por já beirar as 10 da noite, resolvi não voltar a pé. Fui para o ponto de ônibus mais próximo que ficava a uns 100 metros da entrada principal aguardar o coletivo.(foto) Até nisso estava precavido, sabia o que pegar, aonde subir, referência para o desembarque e acabar de chegar ao hotel. Feito! Esperei por quase 10 minutos, subi e fiquei atento ao caminho percorrido e tudo batia com o que tinha visto no mapa. Assim que passamos de frente à rodoviária, dei o sinal e próximo a um supermercado desci. Uma caminhada curta e sem deixar de ter atenção a minha volta, cheguei ao hotel para o descanso de um grande dia. Enquanto tirava a roupa para outro banho, liguei a TV e estava passando Santos x Flamengo na Vila Belmiro. Não dei muito atenção, deixei a TV ligada e fui para o chuveiro. Lá dentro já ouço dois gols, sem conseguir distinguir de quem. Saí e vi o Flamengo vencendo por 2 a 0. A principio seria mais um joguinho “xôxo” das 22 horas, mas a surpresa Rubro-Negra fez eu ficar curioso em assistir. E não foi em vão, que jogo! Um dos mais eletrizantes que já vi.
Duas equipes de alto nível, jogando ofensivamente e com craques que fazem a diferença, como o Neymar para o Santos e Ronaldinho Gaúcho para o Flamengo.(foto)

Aposto que no fundo, este jogo será lembrado não pelo grande desempenho de ambos ou o placar incomum de 5 a 4 para o Flamengo e sim, pelo gol de gênio que Neymar fez nesta partida. Golaço que lhe rendeu no fim do ano o prêmio Puskas, troféu que a Fifa oferece ao autor do gol mais bonito do ano no planeta. Meu queixo caiu ao ver esse “moleque” de 19 anos pegar a bola na linha lateral, passar por 3 adversários pelo meio, na meia lua dar um drible da vaca no coitado do Ronaldo Angelim, zagueiro do Flamengo, que certamente também será lembrado no futuro por esse lance - assim como seu xará Ronaldo Marconato é lembrado hoje pelo golaço do Marcelinho Carioca em 1995, nesta mesma Vila e nesse mesmo gol quando tomou um chapéu espetacular – e tocou com muita categoria na saída do goleiro Felipe.(foto e link https://www.youtube.com/watch?v=KeAMfv1RJjs)
Pra mim, o jogo acabou ali, o placar não era mais importante, mesmo assim vi uma virada inesperada do time carioca também com um gol de rara felicidade de Ronaldinho, batendo uma falta por baixo da barreira.(foto)
Pra mim, o jogo acabou ali, o placar não era mais importante, mesmo assim vi uma virada inesperada do time carioca também com um gol de rara felicidade de Ronaldinho, batendo uma falta por baixo da barreira. Assim fui dormir, o dia seguinte era todo reservado para a viagem de volta. As 7 da manhã me arrumei, fechei o hotel e caminhei até a rodoviária. Antes de ir à plataforma, tentei achar alguma loja ou banca aberta para comprar um postal de lá. Por pouco não acho, o pouco tempo e a maioria das lojas fechadas, dificultaram. Até que achei um quiosquezinho no meio dos corredores e garanti este exemplar para a minha coleção. As 07:30 embarquei para mais 12 horas de estrada e com mais uma derrota no lombo. Passamos por algumas cidadezinhas que sempre tinha curiosidade em ver de perto, por conta de inúmeras passagens que vendia para lá, como Pires do Rio e Ipameri. Passamos por fora destas, pois não haviam embarques. Dessa vez abandonei momentaneamente meu tocador de músicas em prol de poupar o pouco da bateria que havia para uma determinada parte do caminho, onde faria mais falta. Paramos além do planejado, próximo ao horário do almoço, na rodoviária de Catalão-GO devido a algum problema com a passagem de uma moça que embarcaria para BH. Tudo resolvido, voltamos à rodovia, não por muito tempo, logo na saída da cidade, paramos em um posto para o almoço.(foto)
A princípio iria descer só para dar uma espichada, comer umas bolachas que levava na mochila e esperar o retorno de quem almoçaria, por não sabia como funcionava a cortesia da casa para quem estava de carona. E quando saia do banheiro, o motorista me convidou a comer com ele. Questionei-o sobre o procedimento do local, mas me tranquilizou dizendo que normalmente eles não fazem esta cortesia, mas que conhecia o gerente do restaurante e que não teria problema. Comi bem, principalmente pensando em só repetir a dose na parada de Luz-MG.


Após a refeição, agradecemos o gerente pela receptividade e ele confirmou que eu não precisaria pagar pelo que consumi. Mais uma prova de prestígio da Gontijo que me beneficiava. De volta à estrada e com a satisfação de uma boa refeição, cochilei por umas duas horas. Despertei com o ônibus parando a beira da rodovia para o desembarque de um senhor. Da janela percebo o motorista com certa dificuldade para tirar as bagagens e desci para ajudar sem ao menos ter noção de onde estávamos. Ao chegar no bagageiro descubro que estávamos no trevo de Estrela do Sul, já em Minas e que não eram bagagens que o senhor carregava e sim uma “mudança” de tanto trambolho. Após descer inúmeras caixas, sacos e até uma grade de cama, passaram-se quase meia hora de trabalho. Depois disso fiquei na cabine dando algumas risadas com o motorista sobre este trabalho extra enquanto passávamos pela rodoviária de Monte Carmelo e depois Patrocínio, onde houve a troca de motorista. (foto)
Terminal de Patrocínio-MG. Meio do caminho de volta
De lá, foram mais 2 horas de algumas trepidações até voltar à BR – 262 que continuava impecável e tranquila. Já beirava as 7 da noite quando paramos em Luz. Mais um breve lanche e a chegada a Nova Serrana estava próxima. Nesse meio tempo voltei a me preocupar com meu carro e a ansiedade pela chegada batia forte. Talvez esta foi a hora que mais demorou a passar nessas viagens, mas deu tudo certo. Já da rodovia, antes mesmo de entrar na rodoviária, avisto meu vermelhinho intacto. Um alívio indescritível! Desembarquei agradecendo a mais esse companheiro que me trouxe são e salvo de mais uma grande viagem e de conhecer mais uma importante cidade de nosso país. Antes das 9 da noite chego à Divinópolis e volto à rotina de zoações pela horrorosa campanha que se desenhava...


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