Como
ver o melhor e o pior jogo no mesmo dia.
Mal
havia chegado de São Paulo, quando literalmente não vi o gol da vitória celeste
mesmo estando no estádio, um novo desafio me esperava. Já na noite de terça
pegaria estrada, pois a viagem dessa vez seria maior. Próxima parada, Goiânia e
um dos estádios que mais me gerava expectativa, o Serra Dourada. Mais uma
vez, planos detalhadamente traçados, hotel próximo à rodoviária, onde comer,
como me deslocar e chegar ao estádio.
Terça-feira chegou e a sensação de que o tempo passava
lentamente tomava conta. Em casa, arrumei minha mochila após o almoço e tirei
um cochilo que custou a vir devido a ansiedade. No começo da noite, parti para
Nova Serrana de carro. Mesmo tendo boas opções para ir de ônibus, teria de
deixar meu carro lá pensando na volta. Seria um risco? Óbvio, mas resolvi
arriscar, deixando meu precioso bem, que com muito custo havia adquirido há
poucos meses, estacionado no terminal da cidade mais violenta da região.(foto)
E
detalhe, o estacionamento era aberto, não havia controle ou qualquer taxa
cobrada em prol da segurança dos veículos. Mesmo assim, lá fui eu confiante
como sempre. Rotineiramente sob o alerta de “cuidado” e as bênçãos de minha
mãe, segui para a cidade vizinha onde por volta de 20:45 estava programado para
pegar o ônibus da Gontijo que vinha de Belo Horizonte à Goiânia.
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| Rodoviária de Nova Serrana-MG às margens da BR-262. |
Pouco mais de meia hora de estrada, chego a Nova Serrana.
Até ali, nenhuma novidade, a rodoviária de lá fica no primeiro trevo de acesso
à cidade e totalmente visível da BR – 262.
Parei o carro em uma vaga teoricamente estratégica, de frente a
principal saída de passageiros e aos guichês de informação e da própria
Gontijo. Antes de descer, pensei em algo que poderia me ajudar quanto a estadia
do meu carro ali. Passaria meu número de telefone para quem estivesse
trabalhando nesses guichês para que, de alguma forma, me avisassem até do pior.
Em vão, nenhum desses locais havia pessoal trabalhando àquela hora. Por outro
lado poderia ser positivo pelo fato de eu não conhecer estas pessoas. Imagine
uma pessoa qualquer saber que tem algo valioso ali e sem o dono por perto, o
roubo poderia ser facilitado. Desencanei desses pensamentos e aguardei até
quase 21 horas, quando o ônibus encostou na plataforma.
Não havia nenhum embarque além de mim, o motorista era o
Alberto, não o conhecia, mas fez questão de me levar. Fui para dentro do ônibus
e me acomodei. Haviam muitos passageiros, mas encontrei um lugar na janela no
fundo do veículo. Algumas músicas depois, já fazíamos parada em Luz, para um
breve lanche. Essa parada é boa, não há muitas restrições para funcionários de
carona. Sentei-me junto ao Alberto e conversamos um pouco sobre nossas funções
e torcendo para não me perguntar o motivo da viagem. No finalzinho desse
intervalo, chegou o cobrador do carro BH x Ituiutaba para juntar-se a mesa. Ele
parecia ser novato, pois estava em dúvida sobre como tirar certa passagem.
Ajudei-o com o que eu sabia e agradeceu-me. Voltamos à viagem e a temida subida
da Serra da Luz, um dos pontos de maior índice de acidentes naquela rodovia.(foto) Lembro-me da primeira vez que passei ali no ano anterior, quando estava
chovendo e com neblina. Dessa vez, o tempo estava firme. Suas intermináveis
curvas e no período noturno, exigem muita atenção do condutor. Não consegui
pregar os olhos, as músicas e os faróis dos carros no sentido contrário me
deixavam alerta. Algumas músicas e este caminho até Araxá fizeram-me lembrar de
uma pessoa que ao mesmo tempo me fez bem e mal. Já na madrugada, paramos na
rodoviária de Araxá. Não quis descer, a essa altura o sono já pegava. Eram 1:30
da manhã, alguns passageiros subiam e eu tinha de estar acordado para ver se
algum era da poltrona onde eu estava. Em 10 minutos voltamos à estrada e nenhum
dos embarques era, nem sequer, para o meu lado. Literalmente apaguei. Vi de
“meio-olho” que o ônibus parou muito rápido em um posto de Santa Juliana. Fora
isso, as enormes retas foram ótimas, pois só acordei na chegada a Uberlândia. Apesar
de ainda ser 4:30 da manhã, fiquei impressionado com a grande extensão
territorial e o quão plana era esta importante cidade. Em pouco menos de 10
minutos chegamos à garagem da empresa lá. Ponto final para o Alberto. Desci
enquanto faziam a troca de motorista e a limpeza do carro. Aproveitei para
agradecer ao Alberto e dar uma andada pelo local.
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| Pista simples e muitas curvas. Todo cuidado é pouco na serra! |
Agora com o César como motorista, seguimos para a parte
final da viagem sem nenhum problema. Retornei ao meu lugar e aos cochilos. Mal
vi a rodoviária de Itumbiara, já em Goiás, no começo da manhã, onde alguns
desembarcaram.
Uma hora depois, com o dia raiando, fizemos nossa última parada
em um posto próximo à cidade de Goiatuba.(foto) Desci para espichar as pernas, a
princípio não comeria nada. Mas César insistiu que eu tomasse café com ele,
garantindo que ali o pessoal não importava de eu usufruir dos benefícios que
dão aos motoristas. Tudo agradável, o local organizado, atendimento gentil de
garotas bonitas. Comi um pão com mortadela com um suco de laranja no capricho e
no final ainda tínhamos direito a escolher um brinde no caixa! Peguei um
Trident preto, agradeci as atendentes e voltei para o ônibus. Conferi o pessoal
para o César e partimos para a chegada. Nesse trecho final, fui na cabine com o
César, que contava-me histórias sobre esse caminho que fazia há mais de dois
anos pela Gontijo. Passava das 9 da manhã quando, pela BR – 153, chegamos à
capital goiana com a bela vista dos inúmeros prédios e do estádio Serra
Dourada, que fica bem na entrada da cidade, às margens desta rodovia.
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| Parada na Rodovia Transbrasiliana já em Goiás |
Mais 10 minutos passando pelas largas avenidas de mais uma
capital planejada de nosso país, chegamos à surpreendente rodoviária de
Goiânia.(foto)
Mesmo sem sair da rota traçada, atravessei o centro da
cidade e ainda tinha mais um pouco de chão para chegar ao Serra Dourada. Ainda
estava cedo, planejei uma parada para comer. Dei uma boa olhada em volta para
não cair em qualquer lugar, afinal não é nada bom passar mal longe de casa e
ainda perder o jogo tão aguardado. Andei uns dois quarteirões, que lá são
enormes, tentando achar uma boa lanchonete. Na esquina seguinte encontro uma
pastelaria bem arrumada, que na fachada dizia: “Desde 1964”. Animei e fui
conferir o que a “Pastelaria do Meu” tinha de bom.(foto)
Lisonjeado, fiquei pensando nisso o resto do trajeto. Como
ser tão bem recebido por pessoas que nunca vi e tão longe dos seus costumes?
Continuei minha caminhada passando por um dos pontos mais importantes da
cidade, a praça Cívica.(foto) Um enorme espaço para lazer e cultura,
mas que historicamente também é palco de manifestações políticas e festivais de
fim de ano. Lá também se encontra o Palácio das Esmeraldas, sede do governo do
estado e uma bela estátua de Pedro Ludovico Teixeira, que foi o primeiro prefeito da
cidade. Mais a frente, encontro mais uma praça, essa mais acanhada, mas era a
referência que tinha de que estava próximo do estádio. E coincidentemente essa
segunda praça chama-se Praça Cruzeiro. Ainda quase errei a parte final do
caminho entrando em uma rua diferente da traçada. Mas não foi por esquecimento
de minha parte e sim pelo nome da rua que dá acesso ao estádio estar diferente
da que pesquisei. Voltei, seguindo minha intuição e pesquisa. Mesmo com nomes
divergentes, sabia que por ali eu chegaria ao meu destino final. Uma reta de
uns dois quilômetros e logo logo no horizonte surgia imponente o estádio Serra
Dourada, que fica um pouco mais alto em relação a esta rua de acesso. Raridade
em Goiânia é encontrar uma topografia nem que seja um pouco elevada. Historicamente
as cidades do Centro-Oeste do país são bem planas, graças às características de
relevo. Ao me aproximar do campo, vi do meu lado direito um dos acessos a um
dos parques ecológicos da cidade, aliás o principal, o parque Flamboyant.
Resolvi dar uma passadinha por lá e conferir esta área verde tão importante da
cidade. Andei por algumas trilhas, era fim de tarde, então muitas pessoas se
exercitavam, outras batiam papo pelos bancos... Mais um ponto positivo para a
cidade! Não estava nos planos, mas foi bacana conhecer mais este agradável
lugar em Goiânia. Mal saí por um dos portões laterais e já dei de cara com o
estádio.(foto)
Por fora, não parecia
tão grande, mas ainda cabem suas 50 mil pessoas facilmente. A noite começava a
cair, mas ainda faltava muito para a bola rolar. Não me importei, sempre
preferi fazer isso que chegar em cima da hora, evitando qualquer confusão,
mesmo sabendo que o público seria pequeno.![]() |
| Panorâmica da Praça Cívica no centro de Goiânia |
Com pouco menos de duas
horas antes do jogo, chego. Um enorme estacionamento ao seu redor e a
imponência de um dos maiores e mais prestigiados estádios do país, estava a
minha frente. Olho para trás e tenho a linda visão do por do sol em meio aos
prédios da capital goiana. Subi a rampa do acesso principal contemplando a
cidade e o enorme caminhão de transmissão da Globo, que chegava para mostrar
esse jogo em Pay-per-view para todo o Brasil.
Cheguei a um deles e garanti uma camisa do rival desta noite por 20 reais.(foto) Aproveitei o pouco movimento para dar uma volta completa ao redor do estádio. Ainda estava muito bem conservado e bonito, vi alguns poucos torcedores do Atlético-GO chegando timidamente, sem tumulto, parecia que o pessoal de lá não estava muito animado. Após isso, fui comprar meu ingresso que estava num preço legal, 20 reais. Quase não peguei fila, tinham 3 na minha frente. Percebi que era ali porque um deles estava com a camisa do Cruzeiro. De tão tranquilo, escutei ao longe, no estacionamento, uma família chegando de carro fazendo um “auê” daqueles. Buzinaço, bandeira, gritos de guerra e uniformizados. Esses sim, chegaram chegando. Comprei e já adentrei. Dessa vez não precisei me desdobrar na revista policial, só mostrei a camisa que havia comprado lá fora que estava em uma sacola e um dos PM’s me orientou a escondê-la o máximo que pudesse, mesmo sendo um jogo tranquilo, era bom prevenir. Camuflei a sacola em um dos bolsos e fui para as arquibancadas. Sim, em tempos de novas arenas ou pelo menos, cadeiras nas velhas arquibancadas, lá estava me sentindo em casa, com cimento batido e pintado de diversas cores. Nunca escondi minha preferência por estádios com “cara” de estádio e não de teatro. Entrei em uma posição privilegiada do estádio, logo abaixo das cabines, na lateral do campo. Achei o máximo, mas logo um dos seguranças me orientou para ir para a parte laranja, atrás do gol à direita, que lá seria o local onde ficaria a torcida celeste.
Diferentemente dos
estádios mais modernos de hoje, no Serra Dourada ainda consegue-se deslocar de
uma área a outra das arquibancadas sem problemas. Cheguei e me acomodei nesse
setor. Até o tempo passar e a bola rolar, fiquei ali vendo o pessoal chegar,
“beliscando” um chips e ouvindo música. Nessa espera, acabei conhecendo o
Willian, que sentou-se perto de onde eu estava e começou a puxar papo. Disse ser
natural de Patrocínio – MG, que há 10 anos morava em Goiânia e sempre que o
Cruzeiro ia lá jogar, estava presente. Dessa vez não foi diferente, trocamos
ideias sobre a paixão comum pelo time da Toca e as experiências de ver de perto
o time do coração. O papo era muito agradável e engraçado. O tempo voou e já
estávamos próximo do jogo. A parte destinada à torcida do Cruzeiro foi enchendo
e a do Atlético- GO, muitas faixas das torcidas organizadas, mas torcedores
mesmo quase contava-se nos dedos. Era nítida que a torcida do Cruzeiro era
maior e era a primeira vez que via isso acontecer longe de Minas. Tanta gente
que a polícia teve de abrir o espaço abaixo da cabine, que a principio ia
servir de divisão para com a torcida adversária. Não estava lotada a nossa
parte, mas por precaução, o espaço foi aumentado.
A torcida deles se acomodava
no lado oposto às cabines, então não havia problemas em passar essa parte a
nós. Saímos de trás do gol para a lateral liberada, alguns permaneceram lá, mas
preferimos mudar. (foto)
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| Nossa visão do campo |
Chegou a hora, Cruzeiro
em campo e nossa torcida fez a festa. Eu só queria que a má fase começasse a ir
embora, pois agosto já batia a porta e quanto mais demorasse, mais dramático
ficaria. Bola rolando e as duas equipes mostraram na prática os motivos (ou a
falta deles!) que estes estavam na parte de baixo da tabela. Até a metade do
primeiro tempo, ninguém havia sequer chutado a gol. Na primeira pontada dos
rubro-negros, vem um cruzamento da direita e o atacante coloca na trave do
Fábio. Parecia que a noite não seria das mais agradáveis em termos
futebolísticos...
O Cruzeiro incrivelmente aceitava a pseudo pressão do
adversário e se tornava ainda mais nulo em campo. Para agravar, vem o gol do
Atlético-GO. Mais um cruzamento da direita e Felipe, sozinho no segundo pau
completa. 1 a 0 para os goianos.(foto) Impressionante como o Cruzeiro não ameaçou o
gol do Márcio. Esperava que a segunda etapa fosse um pouquinho melhor e buscar
o impossível: o empate! Passei o intervalo inteiro enchendo o ouvido do
companheiro de jornada sobre o que nosso time não fez. Segundo tempo em jogo e
mais Dragão no ataque. Fábio salvava mais uma vez! Únicos momentos de
entusiasmo de nossa torcida naquela quarta-feira foram uma arrancada do
Montillo que fez o goleiro deles se espichar e um chute mascado e desviado do
Roger que foi para fora. E no que culminou tudo isso? Gol do Atlético-GO! Felipe
de novo. Tabela espertíssima com seu companheiro na intermediária, invadiu com
tranquilidade a área celeste e chutou cruzado para vencer Fábio. 2 a 0
rubro-negro goiano. O Cruzeiro “morreu” de vez em campo. O adversário só
administrava e conseguiu com muita facilidade mais três pontos.
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| Felipe comemorando o primeiro gol do jogo |
Depois de tanta
ruindade de ambas as partes, o menos pior venceu. 2 a 0 para o time de Goiânia
e uma apatia sem tamanho do Cruzeiro. Outros diriam: “Você é louco, ir nessa
distância toda, num meio de semana, na fase ruim, e para ver isso que viu
mesmo?!” Saímos calados e tendo de ouvir zoeiras de atleticanos que estavam nas
cadeiras acima de nossa saída. Mesmo com todo esse futebol ruim, já me dava por
satisfeito pelo que estava vivenciando. É um pouco estranho dizer isso, mas
Goiânia me surpreendeu positivamente. Despedi-me do Willian que rumava para o
bairro onde morava.
Por já beirar as 10 da noite, resolvi não voltar a pé. Fui
para o ponto de ônibus mais próximo que ficava a uns 100 metros da entrada
principal aguardar o coletivo.(foto) Até nisso estava precavido, sabia o que
pegar, aonde subir, referência para o desembarque e acabar de chegar ao hotel.
Feito! Esperei por quase 10 minutos, subi e fiquei atento ao caminho percorrido
e tudo batia com o que tinha visto no mapa. Assim que passamos de frente à
rodoviária, dei o sinal e próximo a um supermercado desci. Uma caminhada curta
e sem deixar de ter atenção a minha volta, cheguei ao hotel para o descanso de
um grande dia. Enquanto tirava a roupa para outro banho, liguei a TV e estava
passando Santos x Flamengo na Vila Belmiro. Não dei muito atenção, deixei a TV
ligada e fui para o chuveiro. Lá dentro já ouço dois gols, sem conseguir
distinguir de quem. Saí e vi o Flamengo vencendo por 2 a 0. A principio seria
mais um joguinho “xôxo” das 22 horas, mas a surpresa Rubro-Negra fez eu ficar
curioso em assistir. E não foi em vão, que jogo! Um dos mais eletrizantes que
já vi.
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| Coletivos da capital goiana |
Pra mim, o jogo acabou ali, o placar não era mais importante, mesmo assim vi uma virada inesperada do time carioca também com um gol de rara felicidade de Ronaldinho, batendo uma falta por baixo da barreira.(foto)
Pra mim, o jogo acabou ali, o placar não era mais importante, mesmo assim vi uma virada inesperada do time carioca também com um gol de rara felicidade de Ronaldinho, batendo uma falta por baixo da barreira. Assim fui dormir, o dia seguinte era todo reservado para a viagem de volta. As 7 da manhã me arrumei, fechei o hotel e caminhei até a rodoviária. Antes de ir à plataforma, tentei achar alguma loja ou banca aberta para comprar um postal de lá. Por pouco não acho, o pouco tempo e a maioria das lojas fechadas, dificultaram. Até que achei um quiosquezinho no meio dos corredores e garanti este exemplar para a minha coleção. As 07:30 embarquei para mais 12 horas de estrada e com mais uma derrota no lombo. Passamos por algumas cidadezinhas que sempre tinha curiosidade em ver de perto, por conta de inúmeras passagens que vendia para lá, como Pires do Rio e Ipameri. Passamos por fora destas, pois não haviam embarques. Dessa vez abandonei momentaneamente meu tocador de músicas em prol de poupar o pouco da bateria que havia para uma determinada parte do caminho, onde faria mais falta. Paramos além do planejado, próximo ao horário do almoço, na rodoviária de Catalão-GO devido a algum problema com a passagem de uma moça que embarcaria para BH. Tudo resolvido, voltamos à rodovia, não por muito tempo, logo na saída da cidade, paramos em um posto para o almoço.(foto)
A princípio iria descer só para dar uma espichada, comer umas bolachas que levava na mochila e esperar o retorno de quem almoçaria, por não sabia como funcionava a cortesia da casa para quem estava de carona. E quando saia do banheiro, o motorista me convidou a comer com ele. Questionei-o sobre o procedimento do local, mas me tranquilizou dizendo que normalmente eles não fazem esta cortesia, mas que conhecia o gerente do restaurante e que não teria problema. Comi bem, principalmente pensando em só repetir a dose na parada de Luz-MG.
Após a refeição,
agradecemos o gerente pela receptividade e ele confirmou que eu não precisaria
pagar pelo que consumi. Mais uma prova de prestígio da Gontijo que me
beneficiava. De volta à estrada e com a satisfação de uma boa refeição,
cochilei por umas duas horas. Despertei com o ônibus parando a beira da rodovia
para o desembarque de um senhor. Da janela percebo o motorista com certa
dificuldade para tirar as bagagens e desci para ajudar sem ao menos ter noção
de onde estávamos. Ao chegar no bagageiro descubro que estávamos no trevo de
Estrela do Sul, já em Minas e que não eram bagagens que o senhor carregava e
sim uma “mudança” de tanto trambolho. Após descer inúmeras caixas, sacos e até
uma grade de cama, passaram-se quase meia hora de trabalho. Depois disso fiquei
na cabine dando algumas risadas com o motorista sobre este trabalho extra
enquanto passávamos pela rodoviária de Monte Carmelo e depois Patrocínio, onde
houve a troca de motorista. (foto)
De lá, foram mais 2 horas de algumas trepidações
até voltar à BR – 262 que continuava impecável e tranquila. Já beirava as 7 da
noite quando paramos em Luz. Mais um breve lanche e a chegada a Nova Serrana
estava próxima. Nesse meio tempo voltei a me preocupar com meu carro e a
ansiedade pela chegada batia forte. Talvez esta foi a hora que mais demorou a
passar nessas viagens, mas deu tudo certo. Já da rodovia, antes mesmo de entrar
na rodoviária, avisto meu vermelhinho intacto. Um alívio indescritível!
Desembarquei agradecendo a mais esse companheiro que me trouxe são e salvo de
mais uma grande viagem e de conhecer mais uma importante cidade de nosso país.
Antes das 9 da noite chego à Divinópolis e volto à rotina de zoações pela horrorosa campanha que se desenhava...
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| Terminal de Patrocínio-MG. Meio do caminho de volta |
















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