Na capital modelo e
de presente novo no corpo, o futebol mirrado teve seu preço
O
Cruzeiro começava a querer sair dessa situação incômoda por mais que ainda não
estávamos nem na metade do campeonato. O time estava no meio da tabela e o
consolo era ver o “patético” na zona de rebaixamento já àquela altura.
Parecia
que a contusão de Wallison, no jogo anterior a esta viagem, não afetaria o
time, uma goleada por 5 a 0 em cima do Avaí dava a empolgação necessária ao
confronto que viria no meio de semana contra um forte Atlético-PR em Curitiba (foto). Voltaria à Arena da Baixada após uma passagem em 2010 quando a conheci. Na oportunidade não era jogo do meu time e sim um Atlético e Fluminense, jogo que interessava
diretamente ao Cruzeiro, na época, brigando pelo título.
Dia esse que literalmente infiltrei-me à torcida “Os Fanáticos” do time paranaense e tive, pela primeira vez na vida e com muita dificuldade, gritar “Atlético!”. Comprei um exemplar oficial da camisa deles e tirei foto com um dos ícones das torcidas brasileiras, a caveirona em resina (foto). A realidade em 2011 era completamente diferente dentro e fora de campo.
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| Comemoração de um dos gols da goleada em cima do Avaí |
Dia esse que literalmente infiltrei-me à torcida “Os Fanáticos” do time paranaense e tive, pela primeira vez na vida e com muita dificuldade, gritar “Atlético!”. Comprei um exemplar oficial da camisa deles e tirei foto com um dos ícones das torcidas brasileiras, a caveirona em resina (foto). A realidade em 2011 era completamente diferente dentro e fora de campo.
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| O blogueiro em 2010 junto ao torcedor rubro-negro do Paraná |
Mais
uma partida em meio de semana, só que dessa vez um pouco mais distante. A
logística de um torcedor que trabalha no dia seguinte e que não pode pagar por
uma passagem aérea para a volta fica sempre complicada nessas horas, mas tudo
conspirava a meu favor até o momento. Perderia quarta e quinta-feira,
pagando-as posteriormente para o Paulinho.
Trabalhei a parte da manhã da terça, descansei um pouco após o almoço e no fim da tarde, seguir para BH de ônibus. Às 17:25 parti para BH no 12365 (foto), que por si só já trazia boas lembranças: Foi exatamente nesse carro que fiz, em 2008, minha primeira viagem longa na vida, quando estava nas minhas primeiras férias na empresa e fui à Fortaleza-CE na companhia de minha mãe. Pilotando nesse dia estava o “Carlão 1600”, um dos motoristas mais bacanas que conheci. Ele tinha esse apelido devido à quantidade de Carlos que havia na empresa, ao seu tamanho e seu número na empresa. Sempre simpático, brincalhão e profissional naquilo que faz, passava sua energia positiva aos passageiros e também aos companheiros que encontrava. Era diferenciado!
Trabalhei a parte da manhã da terça, descansei um pouco após o almoço e no fim da tarde, seguir para BH de ônibus. Às 17:25 parti para BH no 12365 (foto), que por si só já trazia boas lembranças: Foi exatamente nesse carro que fiz, em 2008, minha primeira viagem longa na vida, quando estava nas minhas primeiras férias na empresa e fui à Fortaleza-CE na companhia de minha mãe. Pilotando nesse dia estava o
Pouco
mais de duas horas de muita conversa boa, risadas e bastidores de uma grande
empresa como a Gontijo, aportamos na rodoviária de BH. Não podia perder muito
tempo, pois às 20 horas saía o carro para Curitiba. Despedi-me do Carlão e
atravessei para o lado de embarque do terminal. Não demorou muito e o 17215
encostou na plataforma A1. O motorista da vez era o Sidney lá do setor de
Camanducaia. Não o conhecia, mas logo que o abordei, não titubeou em me
responder positivamente sobre minha carona.
Normalmente esse carro não andava
muito cheio, então foi fácil arrumar um lugar lá no fundão para me acomodar.
Passamos rapidamente pela agência da Praça da Cemig em Contagem (foto) para embarcar
mais alguns e seguimos desbravando a BR-381. O caminho não era novidade, então
resolvi tentar admirar outras coisas como o céu estrelado daquela noite. Mal
havíamos andado por uma hora, eis que o ônibus para. Tento dar uma olhada pelo
vidro e vejo mais veículos a nossa frente também parados em uma curva, no
mínimo um acidente que bloqueara a via. Provavelmente estávamos para chegar a
Itaguara quando ocorreu à interrupção. Aproveitei para ouvir música, coisa que
não havia feito ainda, esperando a vontade bater para valer, afinal o trecho
era longo.
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| Adicionar legenda |
Comecei
ouvindo meus pop´s internacionais, mas por incrível que pareça, enjoei fácil.
Acho que não devo ter ficado nem uma hora ouvindo. Ainda estávamos parados e eu
precisava achar algo diferente para fazer, porque sono mesmo não tinha. Vi duas
viaturas passando ao nosso lado direito pelo acostamento, uma da PRF e outra
dos Bombeiros, pelo jeito o trem ali era feio. Achei uma casinha iluminada no
meio da mata que estava a nossa direita, dali surgiu um carro que andava em
direção à rodovia.
Fui acompanhando, pensando se ele sabia que a estrada estava bloqueada ou talvez para ajudar ou até saquear produtos caso fosse. Para fugir um pouco do marasmo liguei o MP3 de novo e me lembrei da opção “Rádio” do aparelho (foto). Era tão raro eu ouvir rádio por ele que nem lembrava. Raro devido ao desentusiasmo que tinha pelas rádios de Divinópolis. Mas ali ainda estávamos próximos à BH e poderia ter opções de qualidade àquela hora. Resolvi dar uma vasculhada antes de, com certeza, parar na Jovem Pan. Eis que acho a Montense, rádio de Santo Antônio do Monte, pegando com certa qualidade ali. Sempre admirei sua potência anunciada, com participações de ouvintes de toda região, mesmo que duvidando um pouco desse alcance. Mas estávamos de certa forma bem distantes de sua base. Mesmo espantado, parei para ouvir. Alécio Bessa, que outrora minha mãe o ouvia em casa, estava na locução de um programa de músicas românticas. Quando entrou anunciando participação por SMS, pensei: “Vou mandar pra ver no que dá. Isso se aqui der área.” Consegui. Pedi para tocar Ne-Yo e a minha preferida So Sick.
Fui acompanhando, pensando se ele sabia que a estrada estava bloqueada ou talvez para ajudar ou até saquear produtos caso fosse. Para fugir um pouco do marasmo liguei o MP3 de novo e me lembrei da opção “Rádio” do aparelho (foto). Era tão raro eu ouvir rádio por ele que nem lembrava. Raro devido ao desentusiasmo que tinha pelas rádios de Divinópolis. Mas ali ainda estávamos próximos à BH e poderia ter opções de qualidade àquela hora. Resolvi dar uma vasculhada antes de, com certeza, parar na Jovem Pan. Eis que acho a Montense, rádio de Santo Antônio do Monte, pegando com certa qualidade ali. Sempre admirei sua potência anunciada, com participações de ouvintes de toda região, mesmo que duvidando um pouco desse alcance. Mas estávamos de certa forma bem distantes de sua base. Mesmo espantado, parei para ouvir. Alécio Bessa, que outrora minha mãe o ouvia em casa, estava na locução de um programa de músicas românticas. Quando entrou anunciando participação por SMS, pensei: “Vou mandar pra ver no que dá. Isso se aqui der área.” Consegui. Pedi para tocar Ne-Yo e a minha preferida So Sick.
Desencanei.
Ouvi sem esperar que fosse ser mencionado. Por mais que eu tivesse essa mesma música no
MP3, o gostinho de ser tocada em uma emissora enquanto você a ouve é outro.
Fechei os olhos e curti o que rolava. Na volta do intervalo comercial, ouço
Alécio da seguinte maneira: “Estamos de volta com a mensagem do Sílvio Júnior,
que diz estar a caminho de Curitiba pela BR-381 dentro de um ônibus que está
parado em um congestionamento próximo a Itaguara. Ele nos ouve e pede Ne-Yo e a
lindíssima So Sick (foto).
Ela chega agora na nossa programação. Boa viagem, Sílvio e
enquanto estiver parado, continue na nossa sintonia.” Arrepiei todo! Claro que
já tive essa sensação antes, mas esta foi inesperada e muito simpática da parte
do locutor, que nos dias de hoje, mesmo nas rádios populares, não dão mais tanta
ênfase quando pode mandar seus abraços a quem o ouve. Hoje tudo é muito
dinâmico no rádio e isso, no fim, acaba sendo perda de tempo. Curti a música
como na primeira vez! Fechei os olhos novamente e inevitavelmente veio-me à
cabeça a Nana, apelido carinhoso da Giovanna, uma garota que tive um affair enquanto era locutor da 89FM e
que, na época, me apresentou esta música, que não sai mais de minha playlist. Logo após, não aguentei o
restante da programação. Estava saciado com o que tinha ouvido. Mudei para a
Jovem Pan e curti a Beth fazer sua farra no microfone da “Número 1 do Brasil”.
Já se passava mais de uma hora e meia ali parado, quando finalmente começamos
a andar, bem devagar, é verdade, mas era um começo.
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| Capa do single |
Beirávamos
à meia-noite quando o trânsito começou a fluir. A essa altura, normalmente,
estaríamos além de Perdões. Nada de lamentações, ainda havia tempo hábil para
muita coisa rolar. Andamos devagar por quase meia hora até passar pelo motivo
do engarrafamento e da paralisação. Em uma das curvas, havia um caminhão
carregado de cenouras tombado, totalmente atravessado na pista. Após a remoção
da carga e uma “chagada pra lá” no veículo, abriu-se a brecha necessária para a
liberação de meia pista. Daí em diante, aceleração total e pouco vi até
Perdões.
Chegamos à nossa primeira parada já era madrugada e o frio apertava no sul de Minas. Desci somente para esticar as pernas, já que o Crossville (foto) é a “melhor” parada que temos. Belisquei uns biscoitos, aqueles “trec-trec” feitos de farinha. Contei o ônibus para o Sidney e voltamos à estrada. O trecho seguinte fui na cabine fazendo-o companhia. Bom papo, sensato e inteligente, esse era o Sidney que conduzia tranquilamente aquela viagem. Passamos pelo trevo de Pouso Alegre onde contou que morava ali e tinha de se deslocar até Camanducaia para trabalhar, assim como o pessoal de Divinópolis que tinha de ir até BH. Tudo muito sossegado naquela noite e quase às 4 da manhã, chegávamos a parada de Camanducaia, onde trocaríamos de motorista. Sidney me agradeceu a companhia e eu retribuí, enquanto o outro motorista chegava para se aprontar no veículo. Fui apresentado ao Roni, um ruivo doidão, que já me recebera bem para o seu trecho. Como de costume não perdia nenhuma parada ali. Camanducaia, diferentemente de Perdões, dá um suporte muito bacana aos funcionários a trabalho e em deslocamento.
Chegamos à nossa primeira parada já era madrugada e o frio apertava no sul de Minas. Desci somente para esticar as pernas, já que o Crossville (foto) é a “melhor” parada que temos. Belisquei uns biscoitos, aqueles “trec-trec” feitos de farinha. Contei o ônibus para o Sidney e voltamos à estrada. O trecho seguinte fui na cabine fazendo-o companhia. Bom papo, sensato e inteligente, esse era o Sidney que conduzia tranquilamente aquela viagem. Passamos pelo trevo de Pouso Alegre onde contou que morava ali e tinha de se deslocar até Camanducaia para trabalhar, assim como o pessoal de Divinópolis que tinha de ir até BH. Tudo muito sossegado naquela noite e quase às 4 da manhã, chegávamos a parada de Camanducaia, onde trocaríamos de motorista. Sidney me agradeceu a companhia e eu retribuí, enquanto o outro motorista chegava para se aprontar no veículo. Fui apresentado ao Roni, um ruivo doidão, que já me recebera bem para o seu trecho. Como de costume não perdia nenhuma parada ali. Camanducaia, diferentemente de Perdões, dá um suporte muito bacana aos funcionários a trabalho e em deslocamento.
Satisfeito
como todas as vezes que passei por ali, seguimos por mais um trecho dessa
viagem. Trecho, que pra falar a verdade, quase não o vi. Perguntei ao Roni se
ele importava de eu ir lá dentro até a próxima parada e ele, claro, não se
importou. Passamos por São Paulo sem, ao menos, dar uma bisbilhotada à capital
paulista onde estive viagens anteriores. Acordei com o dia já raiando. A
próxima parada seria em Registro, mas não tinha noção se estávamos chegando lá.
Percebi que a estrada era um tapete, trepidações eram mínimas. Já havia ouvido
falar bem das estradas paulistas, que são enormemente pedagiadas, mas
compensadas com uma qualidade muito superior às demais de nosso país. Uma hora
e pouco depois passamos no trevo de Registro-SP, comecei a animar com a chegada
da parada. Esta eu não conhecia e já imaginava que seria tão bem estruturada
quanto à estrada. Eis que paramos no Graal Buenos Aires para o café da manhã (foto).
Uma mega estrutura, com uma qualidade e extensão que nunca havia visto ou experimentado. Não sabia como era o esquema ali, então demorei a descer e fiquei ali de fora admirando, dando aquela espreguiçada. Roni saiu do banheiro e logo me chama para ir com ele. Titubeei, fiz que não estivesse a fim de comer nada, mas o Roni percebeu que era por não conhecer o lugar e logo me desmascarou: “Larga disso. O pessoal aqui é tranquilo com os caroneiros também, pode vim sem medo e comer e beber o que quiser! É difícil achar um lugar tão estruturado e que te dê tanto suporte na estrada.” Aceitei na hora. Quando que imaginaria que comeria de graça numa das maiores redes de lanchonetes rodoviárias do país? Logo imaginei: “O Graal com o nome que tem nos recebe assim e o Crossville com aquela frescuragem!” Passava das 8 da manhã, já que recebi o “sinal verde”, caprichei no lanche, pois o próximo só seria em Curitiba.
Uma mega estrutura, com uma qualidade e extensão que nunca havia visto ou experimentado. Não sabia como era o esquema ali, então demorei a descer e fiquei ali de fora admirando, dando aquela espreguiçada. Roni saiu do banheiro e logo me chama para ir com ele. Titubeei, fiz que não estivesse a fim de comer nada, mas o Roni percebeu que era por não conhecer o lugar e logo me desmascarou: “Larga disso. O pessoal aqui é tranquilo com os caroneiros também, pode vim sem medo e comer e beber o que quiser! É difícil achar um lugar tão estruturado e que te dê tanto suporte na estrada.” Aceitei na hora. Quando que imaginaria que comeria de graça numa das maiores redes de lanchonetes rodoviárias do país? Logo imaginei: “O Graal com o nome que tem nos recebe assim e o Crossville com aquela frescuragem!” Passava das 8 da manhã, já que recebi o “sinal verde”, caprichei no lanche, pois o próximo só seria em Curitiba.
Roni
mais acostumado em estar ali, fez seu lanche mais simples, com um pastel e um
café com leite. Já eu, “mandei brasa” em um enorme sanduíche de pernil e um
copo enorme de laranja natural. Demorei um pouco mais que o normal, pois ainda
assistíamos o noticiário matutino na TV e conversávamos. Quase meia hora
depois, sendo que a parada seria de 15 minutos, voltamos ao ônibus para a etapa
derradeira da viagem. Contei o carro e tudo certo para seguirmos à Curitiba.
Fui na cabine novamente, agora para prosear com o estiloso Roni, que já
ostentava seus óculos escuros pela Régis Bittencourt. Passamos pela Serra do
Cafezal, que é o único ponto ainda não duplicado da rodovia e um dos poucos
pontos não habitados do trecho, onde a mata nativa ainda é bem preservada. A
partir dali o friozinho do sul já começava a soprar forte.
Ainda tinha chão,
mas a conversa boa e principalmente a paisagem pós-serra era deslumbrante. O
ponto alto foi a Represa do Capivari, umas das bases de abastecimento da
capital paranaense (foto). Um espetáculo! Uma beleza! Uma joia rara! Um oásis! Linda.
Apareceu do nada à nossa direita e depois se expandiu para todos os lados. A
rodovia passava por cima dela e não tinha para onde fixar o olhar. E assim foi
por poucos 20 minutos, mas o suficiente para deixar a viagem ainda mais
exuberante. Mais uma hora de quase nada habitável no caminho, quando
começávamos a notar que a região metropolitana de Curitiba surgia.
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| Vista aérea da rodovia sobre a represa |
Chegando
a Quatro Barras-PR, passamos por um posto da Polícia Rodoviária Federal onde uma
moça nos fazia sinal à beira da estrada, bem de frente a base. Sabia que aquele
carro não pegava passageiros fora de rodoviárias, olhei para o Roni e ele me
tranquilizou: “Calma, é só a Carmem. Ela é agente aí nesse posto e mora em
Curitiba. Já é de casa, nós que andamos no trecho já a conhecemos e damos
carona a ela sempre!” Ela subiu nos cumprimentou e foi se juntar aos
passageiros. Tudo na maior normalidade até chegarmos ao trevo do Atuba, um dos
acessos à capital paranaense. Já passava do meio dia, quando encontramos um
ônibus da Cometa parado em um posto e o motorista deles fazendo um sinal para
nós. Roni diminuiu na hora e encostou no posto. O motorista deles veio até nós
e explicou que estava com algum problema mecânico que não soube identificar, só
sabia que o carro não desenvolvia mais. Achou um lugar seguro para parar e pedir
socorro. Já havia ligado para sua garagem em Curitiba, mas não havia carro para
rendê-lo ali, que teria de esperar algum vindo de São Paulo o socorrer. Que
nada. Nos prontificamos a, pelo menos, ajudar os passageiros a chegar. Descemos imediatamente e passamos todos os passageiros da Cometa para nosso carro
para a parte final da viagem até a rodoviária de Curitiba.
Quase
uma hora ali parado. O companheiro fala mais alto neste momento, mesmo sendo de uma empresa
concorrente e direta, fizemos o transbordo das bagagens,
lotamos nosso ônibus e deixamos somente o motorista lá para ser socorrido.
Encarregamo-nos de chegar com todos até a rodoviária. Em pouco mais de meia
hora, contando com um pouco de trânsito que pegamos, chegamos à rodoviária de Curitiba (foto).
Esta é muito bem localizada, centrada e funciona onde antigamente era uma das
estações de trem da cidade. Uma longa e cansativa viagem. Já passava das duas
da tarde de quarta-feira, era hora de descansar antes de assistir o jogo e
voltar no mesmo dia! Ao descer, agradeci ao Roni e perguntei se era ele quem
voltava hoje. Respondeu-me negativamente, pois o prazo mínimo para descanso é
de 11 horas e quem voltaria seria o que havia chegado no dia anterior lá. Nisso
chegou nossa bilheteira para efetuar o desembarque dos nossos passageiros,
auxiliada pelo responsável da Cometa. Enquanto ele começava a descer as
bagagens, ela aproveitava para quase “se jogar” em cima do Roni. Fui
apresentado à Celcilene, que pedia para ser chamada de Celci. Não era das mais
bonitas, era simpática e conversadora, mas tinha um corpo ajeitado. Mais tarde,
em um capítulo posterior, se tornaria uma personagem coadjuvante dessa saga,
não só de passagem como neste.
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| Vista aérea da rodoviária de Curitiba |
O
sol brilhava forte e debaixo dele saí da rodoferroviária de Curitiba em direção
ao hotel. Ficaria no mesmo hotel, bom e barato ali mesmo na rua do terminal, onde já havia me hospedado em 2010 quando estive pela
primeira vez.
Dez minutos de caminhada e já estava na recepção do Hotel
Piemont (foto), onde dali, mais tarde, caminharia até a Arena da Baixada. Um quarto
simples, mas muito bom para quem encarou esta distância toda. Espalho-me na
cama de casal, para experimentar o colchão. Tudo certo e após um bom banho de
uns 40 minutos, para literalmente tirar a “inhaca” da viagem, deito-me com a TV
ligada para dormir bem tranquilo. Pus o celular para despertar para não passar
direto... Já imaginou percorrer esta distância toda para nada? Ainda bem que
isso não aconteceu. Às 17:30 eu acordo, foi só um cochilo de duas horas e meia,
mas o suficiente para renovar minhas energias. Como uns biscoitinhos que poupei
durante a viagem e às 18 horas rumo ao estádio. Vou caminhando e mais uma vez
admirando o que Curitiba tem de melhor, sua estrutura.
Estações tubo, que são
aqueles pontos de embarques dos coletivos, únicos no país, são um charme a
parte. Os ônibus articulados e bi-articulados laranja têm faixas próprias para
não pegar o trânsito caótico de uma capital, fazendo com que este sistema de
transportes seja o mais eficiente do país. Não sei o motivo de nenhuma outra
cidade ainda não ter copiado este bom exemplo. (foto)
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| Hospedagem com excelente custo-benefício está aí! |
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| O transporte coletivo mais eficiente do país! |
Os
arredores da Arena rubro-negra já estavam movimentados e eu, como sempre, a
paisana para não causar nenhuma conturbação. Aproximei-me das bilheterias onde
mais um exemplo de organização que não havia visto em lugar nenhum. Três filas
comportadas, sem tumulto ou com “espertalhões” que não a respeitam e em cada
uma delas um funcionário do clube para desenvolver o andamento e orientar
pessoas que não tinham o costume ali, como eu. Perguntei-lhe baixinho onde
comprava bilhete de visitante e na hora, me encaminhou para uma dessas.
A Arena (foto) foi disparadamente o melhor estádio, em termos de estrutura que visitei, por
isso não me importava em pagar mais caro para estar ali. Foram 60 Reais, mas uma tranquilidade e agilidade incrível para atender o
torcedor, que escolhe na tela do computador o local do estádio onde assistirá
ao jogo. Depois da compra, o torcedor ainda tem de passar por outro funcionário
do clube que cadastra cada um que entra ao estádio, a fim de agilizar a
identificação de possíveis vândalos infiltrados. Mais uma ação inteligente no
sul. O sentimento era de total conforto. Após todo esse procedimento, me
restava adentrar e curtir o espetáculo. O portão de entrada da torcida
visitante ficava ao oposto da entrada principal, onde se encontravam as
bilheterias.
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| Fachada do estádio em 2011 |
Dei
a volta no quarteirão e não tive dificuldades em encontrar a entrada que estava
super tranquila. Faltava pouco tempo para a bola rolar e eu já me aprontava. Com
o agasalho devidamente colocado no corpo e bandeira em mãos, passo pela
tradicional revista dos policiais e caminho para a roleta, onde tenho uma
pequena surpresa desagradável. Apresentei meu ingresso e me perguntaram o que
tinha dentro daquela sacola que carregava. Respondi que era minha bandeira sem
mastro, pois sabia da proibição desse acessório nos estádios após inúmeras
confusões. Logo me disseram que no Paraná não era permitido entrar com nenhum
tipo de bandeira mais, seja com ou sem mastro. Questionei o motivo já que era
somente um pano, que não havia nenhum material cortante ou perfurante ali, mas
foram irredutíveis e tive de aceitar as imposições. O jogo estava para começar
e estava na dúvida de como entraria sem minha bandeira, onde a deixaria em
segurança. A própria moça, que parecia ser alguma encarregada da segurança
naquele setor me ofereceu para guardá-la até que a partida terminasse. Foi um
alívio e assim, entrei pela primeira vez na parte de visitantes da Arena. Essa
parte onde fica a torcida visitante é oposta às cabines e bem ao lado da antiga
escola que ocupava uma das áreas laterais do estádio, que naquele ano o clube
conseguiu adquirir para fazer a ampliação de sua casa, principalmente pensando
na Copa do Mundo de 2014.
Aquele
estádio era magnífico (foto)!
No meu ponto de vista, não precisaria de tanto para servir à Copa que viria. E sem minha bandeira, que me acompanhara por todos os jogos anteriores, dirigi-me a mureta que separava a arquibancada do campo. Queria ver de bem perto os lances como não era possíveis nos demais. Escorei-me ali e permaneci por todo o tempo. Aguardei e comecei a cantar junto à nossa torcida lá, que não era das maiores, mas estavam todos animados e a princípio sem aquele povinho da organizada. Após algumas fotos, hora de futebol! Cruzeiro em campo com sua tradicional vestimenta celeste. Vieram bem perto para nos cumprimentar, daí pude ver que Gilberto não estava no time titular, lá atrás ele caminhava junto aos demais para o banco de reservas. O Atlético-PR veio logo em seguida para inflamar seu fiel torcedor, que comparecia em bom número em pleno meio de semana. O clima estava gostoso, não estava tão frio, mas dava para usar o agasalho sem problemas. Àquela altura, os termômetros deveriam estar marcando uns 16ºC com uma leve brisa.
No meu ponto de vista, não precisaria de tanto para servir à Copa que viria. E sem minha bandeira, que me acompanhara por todos os jogos anteriores, dirigi-me a mureta que separava a arquibancada do campo. Queria ver de bem perto os lances como não era possíveis nos demais. Escorei-me ali e permaneci por todo o tempo. Aguardei e comecei a cantar junto à nossa torcida lá, que não era das maiores, mas estavam todos animados e a princípio sem aquele povinho da organizada. Após algumas fotos, hora de futebol! Cruzeiro em campo com sua tradicional vestimenta celeste. Vieram bem perto para nos cumprimentar, daí pude ver que Gilberto não estava no time titular, lá atrás ele caminhava junto aos demais para o banco de reservas. O Atlético-PR veio logo em seguida para inflamar seu fiel torcedor, que comparecia em bom número em pleno meio de semana. O clima estava gostoso, não estava tão frio, mas dava para usar o agasalho sem problemas. Àquela altura, os termômetros deveriam estar marcando uns 16ºC com uma leve brisa.
O
jogo começa e a agitação toma conta da Arena da Baixada. O Atlético era forte
em casa e cabia ao Cruzeiro surpreender. Eles não tinham aquele cara que
fazia a diferença, mas a boa técnica de Cléber Santana e a velocidade de
Madson, poderiam ser perigosos à defesa cruzeirense. Esse time do Cruzeiro, não
inspirava muita coisa, alguns lampejos de Montillo davam esperanças. Um
primeiro tempo movimentado, onde o time da casa levou mais perigo e fez Fábio
trabalhar bastante. Tanto que acabou fazendo 1 a 0 com Marcinho, ex-jogador do
Cruzeiro e hoje um dos pilares desse Atlético, em uma cabeçada certeira. O
abatimento e as más lembranças voltavam à tona. Começo a xingar os caras! Mas não
deu nem tempo de terminar um dos palavrões que soltava, quando num
contra-ataque rápido, vem o cruzamento e Wellington Paulista, no meio da grande
área cabeceia com força para empatar logo em seguida. 1 a 1 e vibração total da
parte azul do estádio.
Após o gol, Paulista veio comemorar junto a nós
disparando suas flechas imaginárias e botando a mão em uma das orelhas como se
quisesse ouvir os críticos naquele momento (foto). Achei que a partir dali o jogo ia
esquentar e criei expectativa pela virada, mas não aconteceu. O restante da
primeira etapa amornou-se e assim fomos para o intervalo. Aproveitei para
sentar e descansar um pouco. Atrás de mim, uma turma resenhava sobre o que
faltava para vencer lá.
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| Centroavante cruzeirense comemorando o então empate |
E
a segunda etapa começa com uma surpresa, Gilberto em campo no lugar de Roger,
que mais uma vez, pouco contribuiu. Papai Joel queria mais qualidade no chamado
“último passe” para poder conseguir a virada. Tentei de todas as formas mostrar
ao nosso meia o quão satisfeito eu estava com
aquele presente que me deu na última viagem e que cumpri a promessa de que
estaria presente com ele no corpo nesta partida. Mas não foi possível. Ficamos
mais próximos do campo de defesa do Cruzeiro no segundo tempo e ele pouco veio
marcar. Um segundo tempo pegado, ambas as equipes estavam dispostas a vencer,
até um dado e crucial momento onde o senhor Anselmo Ramon, atacante do
Cruzeiro, faz uma falta besta no campo de ataque e é expulso! Quando a coisa
parecia querer ficar boa, virou um drama. O Atlético “ferveu” em cima e Fábio
se virava pra sua cidadela não cair. Àquela altura, o empate já era lucro e
rezava para o tempo passar depressa. E assim, como no jogo contra o Vasco, tive
que sair do estádio antes do término da partida devido ao horário do ônibus
para a volta. O jogo acabaria por volta de 21:30 e eu teria de estar na
rodoviária às 22:00 para voltar à Divinópolis. Além de ter de passar no hotel antes
para pegar minha mochila e acertar a estadia. Saí às 21:10 com o jogo ainda
eletrizante e com o Cruzeiro se segurando com um jogador a menos. Parecia ainda
faltar uns 15 minutos para o fim, mas não tinha escolha. Tomei meu rumo em direção
à saída e sem tirar o olho do campo, pelo menos até onde dava visão. Passei
pela portaria novamente e solicitei a devolução de minha bandeira, que foi
prontamente entregue. Agradeci à segurança que a guardou para mim e segui para
fora do estádio.
Ao
sair, “apertei” os passos para não perder o ônibus. E enquanto dava a volta no
estádio para sair na rua que daria acesso ao hotel, próximo das bilheterias,
escuto o estádio “explodir” em gritos. O pior acabara de acontecer. Tratei de
colocar os fones e sintonizar em uma rádio de lá para comprovar. E realmente
era aquilo que imaginava. Gol do Atlético aos 44 minutos do segundo tempo em um
chute da entrada da área de Cléber Santana. Estava indo apreensivo, mas depois
dessa amarga derrota no final, o sentimento virou frustração. Lá fui eu, todo
cabisbaixo completar minha caminhada. Já eram 21:45 quando cheguei ao hotel,
tinha de me apressar. Soquei tudo dentro da mochila e “voei” num banho de um
minuto. Coloquei o uniforme às pressas, com a gravata toda torta e cabelo
despenteado. Ainda bem que já tinha pedido para
fechar antes para não perder tempo, foi só pagar e partir. Mesmo com a vantagem
de estar perto da rodoviária, tive que dar uns piques para chegar a tempo.
Exatamente às 21:58, chego à plataforma com a Celci aos berros à procura de um
passageiro que faltava para embarcar. Nisso, já cheguei bufando ao companheiro motorista,
que logo me pediu para subir. O ônibus estava vazio, muito tranquilo, acho que
somente umas 8 pessoas iriam nessa volta.
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| Saguão da parada na madruga |
Pouco
aconteceu até BH, paramos em Perdões e não desci. Continuei lá dentro curtindo
minhas músicas. Às 13:30 chegamos à “Belô”. Agradeci o companheiro pela viagem e
começo a pensar em como voltar à Divinópolis, pois naquele horário não saía
nenhuma empresa, a não ser a Teixeira, que nega carona, que pudesse me dar carona de volta para casa.
Ao pesquisar junto
às bilheterias, eu tinha duas opções: esperar até as 16:00 quando saía um da
Transmoreira para Cláudio (foto), ou ir no da
Gontijo que saía já as 14:00 para Uberlândia, que me deixaria no trevo de Nova
Serrana as 16:00 e dali tomar o Braulino para Divinópolis, chegando à
rodoviária as 17:00. Não ganharia muito tempo, mas a
segunda opção foi a escolhida. Melhor estar na estrada do que ficar mais de 3
horas “mofando” naquela rodoviária de BH. Carro
cheio, como de costume para o Triângulo, subo e vejo que não há mais lugares
na janela. Vou lá pro fundão e na última poltrona, ao lado do banheiro,
acomodo-me ao lado de um gordão. O cara deu uma olhadinha despistada e tacou os
enormes fones no ouvido. A bateria do meu MP3 tinha ido embora, então me
contentei em curtir o trecho.
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| Carro da linha BH x Cláudio via Divinópolis |
Sol
forte e a maioria dos passageiros fecham as cortinas e tiram um sono. Era um
ônibus modelo Marcopolo G6, mas o barulho característico de um Scania estava
ali igualzinho aos demais modelos de carroceria da empresa. A parte boa de
estar ali atrás era essa de curtir o motor. Em compensação, o cara do meu
lado começava a ficar espaçoso demais e eu cada vez mais “enlatado” junto ao
corredor. Foi mais de uma hora todo torto, encolhido e mal acomodado. Até que avisto,
pelo corredor, o trevo de São
Gonçalo do Pará. Era a referência que precisava para ir para a cabine e
preparar-me para descer. Enfim saí daquele aperto que era a poltrona 46 e fui
para a cabine.
No meio do caminho, agradeci o cobrador que estava sentado ao
lado de uma senhora numas das primeiras poltronas. Já na cabine peço a
gentileza do motorista parar na guarita dos Gamas (foto) para mim e prontamente fui
atendido. Mais uma vez agradeci e atravessei a rodovia para esperar o Braulino
que não demorou muito para passar. Eles também eram “gente boa” e não me
negaram a carona. Dali foi um pulo até Divinópolis, foi só sair do ar
condicionado da Gontijo para o “vento na cara” da Braulino, que a nossa
Divinéia já aparecia no horizonte.
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| Entrada dos Gamas, distrito de Nova Serrana |
Assim
terminava esta “aventura” com mais uma derrota no currículo. Desânimo? Nenhum.
Estava pronto para a próxima, que demoraria um pouco, daria um tempo para
descansar e também para alguns imprevistos que fariam os planos de ver todos os
jogos fora, que estava cumprindo até então, irem por água abaixo. O primeiro
turno estava terminando, mas a luta, a angústia e principalmente o sofrimento
de ver meu time na pior, estava só começando...


















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