Voltando ao paraíso com o pé esquerdo...

A
ansiedade já tomava conta desta pessoa quando a possibilidade de concretizar
uma ideia, que muitos diziam ser maluca, estava próxima. Em Março de 2011 eu recebi a boa notícia de que teria um ótimo novo companheiro de
trabalho, na bilheteria da Gontijo em Divinópolis. Apresentei-lhe os planos e ele topou me ajudar a
realizar este sonho. Diante disto, comecei a planejar a primeira viagem que só
seria em Maio para Florianópolis-SC. Comprei as passagens de ida e volta com antecedência, aproveitando uma promoção que estava bem vantajosa: de R$
120 por R$ 40.
O
tempo passou. Demorou, mas passou. Chegou o tão aguardado mês de Maio para começar
esta saga que a princípio era ir a todos os jogos do Cruzeiro fora de casa no
Campeonato Brasileiro.
Para assistir o jogo que seria num domingo em
Floripa, saí na sexta a noite de Divinópolis num ônibus da Gontijo para Marília-SP. Sim, faria um caminho
alternativo para não pagar este primeiro trecho e na torcida para que viesse um
motorista conhecido para ir proseando.
Sexta-feira, 20 de Maio. Trabalhei pela manhã e fiz minha
mochila para esta viagem inicial. Não imaginava o trabalho que ela me daria
mais tarde.
À noite estava pronto para embarcar, cheguei um pouco antes e
fiquei conversando com o meu amigo e mais novo companheiro Paulinho. (FOTO)
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| Grande Paulo Becker. Um dos idealizadores! |
Às sextas
os ônibus sempre atrasam a chegar aqui e dessa vez não foi diferente. O
primeiro ônibus que ia para Bauru-SP chegou e com um grande motorista no
comando, Dagmar. Gente mais que boa, sempre fez questão de mim. Mas essa linha
não passava em Marília, provavelmente não daria para eu ir com ele. Ao longo da
parada aqui em Divinópolis, ele me convenceu a ir nesse carro até Ribeirão
Preto-SP (que é a última cidade comum dos dois ônibus) e lá eu trocaria de
ônibus, passando para o que ia para Marília, que estava logo atrás.
E como
valeu a pena esta escolha! Subi e deixei minha mochila no porta-embrulho
(compartimento para bagagem acima da cabeça do passageiro). (FOTO)
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| Interior de um ônibus rodoviário. |
Começamos a seguir
viagem com uma conversa animada na cabine, já que sempre
tínhamos pouquíssimo tempo das vezes que nos encontrávamos.Viagem
boa, nem vimos o tempo passar e chegamos rapidinho na parada de Itaú de Minas
pra um lanchinho na madruga. Umas 3 e meia da manhã chegamos a Ribeirão.
Primeiro, ele faz uma parada maior, para troca de motorista no Posto Gavião. (FOTO)
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| Ponto de Apoio em Rib.Preto-SP |
Desci e fui cumprimentar
os companheiros de lá. Entre eles alguns motoristas já conhecidos como o Adão e
o Mauro. O último assumiria este carro que seguiria para Bauru. Em mais ou
menos meia hora, estava tudo pronto para o ônibus que eu estava seguir. O que ia para Marília havia acabado de chegar, então ainda demoraria um
tempinho. Papo vai e papo vem, Dagmar estava pronto para ir descansar quando me
pergunta se eu havia tirado minha mochila lá do compartimento antes do Mauro
seguir viagem... Pensa na quase parada cardíaca que tive ao saber que tinha
esquecido a mochila no ônibus que havia partido? Como iria a Florianópolis só
com a roupa do corpo, que era meu uniforme de trabalho? Fiquei um pouco
desesperado, pois esperei tanto por esta viagem e poderia acabar assim?! Os
companheiros que ficaram me ajudaram a tentar resgatá-la, mas ninguém tinha o
telefone do Mauro. Até que surge o Daniel, auxiliar de tráfego. Ele chegava de
seu intervalo e tinha o tal número do motorista que seguiu. Com muito custo, conseguimos
localizá-lo na rodoviária de Ribeirão, segunda parada nesta cidade. Foi aí que conseguimos explicar a situação pra ele. Em tempo,
deixou minha mochila com um funcionário do terminal até eu passar lá no outro
ônibus. Respirei aliviado e agradeci bastante ao companheiro Daniel por salvar
minha viagem...
Pós-susto,
segui viagem. Como passei a noite toda em claro, mal entrei no ônibus que
seguia para Marília e apaguei, literalmente. Acordei com umas trepidações próximo a parada no Posto Gigantão, quase chegando em meu destino primário. Tomei um café
esperto junto com o motorista e seguimos para a rodoviária. Umas 8 e meia da
manhã chegamos lá.
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| Marília-SP |
Desci agradecendo ao motorista pela viagem. Como o
outro ônibus que pegaria tinha previsão de passar só às 10:15, andei um pouco
ali dentro antes de procurar a bilheteria da Itapemirim e retirar meu bilhete
reservado pela internet com antecedência. Após assistir um pouco de Fórmula 1
na TV, resolvi ir à bilheteria pra ficar livre de tudo e ficar só na espera
mesmo. Para quem estava aliviado e feliz da vida por continuar viagem com todos
os seus pertences, chego ao guichê da Viação Itapemirim com o
comprovante da compra em mãos. Dou um bom dia sorridente para o atendente (imagina
se fosse A atendente!) e o aviso que comprei pelo site da empresa. Ele para,
olha, pensa, coça a cabeça, mexe no computador e fala que não tem aquele carro
para aquele dia. Minha cara já muda e pergunto se ele está brincando. Ele disse
que não e que não estava entendendo como eu comprei uma passagem para um dia
que não havia ônibus da empresa para Florianópolis. Eu com cara de bolacha e ele
com cara de pastel. Levantou-se, pegou o telefone e falou algumas coisas. Voltei
a ficar apreensivo com mais um possível fim precoce de minha viagem. Ao mesmo
tempo estava confiante numa alternativa para solucionar isso, afinal não era um
erro meu. Ele voltou com a cara um pouco mais positiva, o que já me aliviava. Disse
que na época que eu comprei a passagem havia ônibus da Itapemirim pra lá todos
os dias e que houve uma alteração há questão de 15 dias passando este horário a
ser revezado com outra empresa, a Real Expresso. Pediu para que eu me dirigisse ao
guichê desta empresa para resolver o problema. Ele me acompanhou e explicou o
ocorrido para o atendente da Real. Este consultou seu sistema e achou minha
passagem. Estava lá, com meu nome e tudo na poltrona que
comprei. Ou seja, após a alteração, este dia era da Real Expresso. Mas por eu
ter comprado no site da Itapemirim, esta passagem teria que ser da mesma, porém
com uma autorização para eu embarcar no ônibus da Real. (FOTO)
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| Passagem da discórdia. |
Mais
um probleminha resolvido, fiquei imaginando se viria mais alguma coisa para
testar-me. Nesse momento, parei para pensar se realmente queria fazer tudo aquilo
que eu imaginei fazer... Aguardei mais um pouco e o “busú” da Real vindo
Brasília aparece para minha enorme alegria! Embarquei e seguimos rumo a Floripa
que chegaria após o sábado todinho... Músicas e mais músicas alegraram minha
viagem até pararmos para almoçar em Santo Antônio da Platina, já no Paraná.
Quase uma hora ali parado, comi uma bolachinhas e fomos para mais um pouco de
ótimas estradas no sul do país.
Umas 16hs paramos, agora, para um lanchinho
rápido em Carambeí-PR. Tarde caindo e no começo da noite chegamos à linda
capital paranaense, Curitiba.
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| Rodovia PR-151 em Castro/Paraná |
Após
essa parada não resisti e caí sono. Acordei em Garuva-SC em mais uma parada
rápida. Desci meio cambaleante para comer algo e me deparei com um frio pra lá
de congelante para um mineiro nada acostumado com este clima do sul... Mais um
cochilinho ao som da Jovem Pan Itajaí, que já pegava no trecho.
Não
perderia a oportunidade de ouvir a rádio número 1 do Brasil por onde quer que
eu passe. Faltando pouco para chegar, umas meia noite e meia, paramos em
Biguaçu-SC para troca de motorista e mais um lanche. Daí em diante não consegui
dormir mais e por volta de 2:15 da manhã vislumbro a iluminada e maravilhosa Ilha
de Santa Catarina. Alegria estampada em meu olhar ao rever este que é, sem
dúvida, um dos lugares mais lindos e gostosos que já visitei.
Atravessamos a
ponte que liga o continente a ilha e logo chegamos ao terminal Rita Maria, a
rodoviária de Florianópolis. Feliz e cansado, já era domingo, dia do jogo.
Hotel pertinho dali, a pé mesmo andei nem 5 minutos. Chegando lá, estava doido pra
deitar, pois havia quase 2 dias que não sabia o que era dormir numa cama. Apresento-me na
recepção dizendo que havia feito uma reserva. Lá vai o recepcionista fazer a
mesma cara do bilheteiro da Itapemirim em Marília. Morri de medo, porque
era madrugada. Procurou, procurou e enfim achou minha reserva para mais um
alívio meu. Ele alegou que eu tinha feito a reserva para o domingo, mas o
sistema deles marcam reservas para o dia anterior até as 6 da manhã, então
minha reserva estava no sábado e não no domingo.
Ufa!
Enfim uma cama bem confortável, um bom chuveiro quente e muita coberta pra
combater o frio que arrepiava esta pessoa. Percebo que dormi “horrores” quando, entre as cortinas, o domingo
clareava todo o quarto. Estava no 11º andar daquele hotel, já eram quase 11 da
manhã.
Consequentemente já havia perdido
o provável café farto do hotel, mas estava bem descansado. Primeira coisa que
fiz quando levantei foi observar por um bom tempo a bela vista que tinha para a
ponte e a baía (FOTOS). Com certeza, uma das mais belas que já pude ver! Nem acreditava que estava tendo a
oportunidade de estar num lugar como aquele. Desci para contemplar de perto... Para evitar outro problema com a
passagem de volta, primeiramente voltei à rodoviária. Procurei o pessoal da
Itapemirim para providenciar
a troca da passagem pela
da Real Expresso ou a autorização para embarcar com a passagem da Mirim como foi na ida. Fui, expliquei e dessa vez foi mais tranquilo. O encarregado da Mirim me levou até o guichê da Real, fizeram a troca e para a volta já estava com a passagem certa em mãos e não teria problemas, afinal o embarque seria na madrugada e não teria suporte nenhum se houvessem transtornos...
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| Hotel que me hospedei (acima) e a vista que tinha do quarto (abaixo) |
da Real Expresso ou a autorização para embarcar com a passagem da Mirim como foi na ida. Fui, expliquei e dessa vez foi mais tranquilo. O encarregado da Mirim me levou até o guichê da Real, fizeram a troca e para a volta já estava com a passagem certa em mãos e não teria problemas, afinal o embarque seria na madrugada e não teria suporte nenhum se houvessem transtornos...
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| Passagem de volta |
Isso
feito, fui andar pela Avenida Beira Mar Norte, sentir o vento na cara e
procurar um lugar para comer. Passei pela ponte Hercílio Luz, um dos cartões
postais da capital barriga-verde. Por ali achei um Habib´s aberto, hora de mandar
um sanduba pra dentro. Demorei a escolher. Usando a tática de não acreditar nas
imagens ilustrativas dessas lanchonetes, escolhi o tal do Beirute. Não demorou muito e ele chegou numa caixa
de tamanho médio, mas não me iludi. Sentei-me numa varandinha do lado de fora,
tomando um ventinho e admirando o visual espetacular a minha frente. (FOTO)
Minha ilusão foi por água abaixo quando abri a caixa
e vi um mega sanduíche me esperando. Pela primeira vez vi se concretizar uma
propaganda desses fastfood. Bom, não
reclamei, já que não havia tomado café, isso seria meu almoço. Mandei brasa
junto a uma bela cervejinha. Já batia 2
da tarde, jogo marcado para as 4 no estádio Orlando Scarpelli que fica no
continente. A ponte que faz a ligação com a ilha não permite a passagem de
pedestres, senão iria a pé mesmo para o campo. Chamei um táxi e rumei ao estádio do
Figueirense. Conversei com o taxista que era torcedor do Figueira e logo
chegamos ao destino. No fim, perguntei a ele se poderia me passar um cartão
dele para chamá-lo na volta, depois do jogo. Ele me disse que não
precisaria, pois a região fica cheia de táxi em dia de jogo e que eu
conseguiria com facilidade. Veremos...
Rodei
em volta do estádio à procura da bilheteria de visitante. Alguns cambistas me
abordaram querendo vender um ingresso supostamente mais barato que na
bilheteria, mas achavam que eu era torcedor do Figueirense. Adotei uma tática
para evitar qualquer tipo de entrevero com um torcedor local, ir a paisano. Somente dentro do estádio coloquei minha camisa do Cruzeiro e abri minha
bandeira. De frente a bilheteria certa, já me surpreendo com o precinho do
ingresso para esta primeira rodada do certame: 50 reais! Como já tava lá, como
não pagar? Entrei ao estádio que é acanhado, mas bem arrumado e organizado. (FOTOS)
Sentei e esperei o que viria a acontecer. Alguns cruzeirenses chegaram e estava
maior do que eu pensava. O sol estava um pouco forte e resolvi descer as
arquibancadas para comprar um refrigerante no bar. No caminho, vi uma bela mulher com o microfone da rádio Band FM. Uma loira linda entre a “homaiada”
que cobre um clube de futebol em campo. Parei para admirá-la. Ali perto, estava o Álvaro Damião, repórter da Rádio Itatiaia entrevistando um
torcedor do Cruzeiro pela grade do alambrado. Paro para ver e ele gesticula me
chamando a falar. Topei. Já veio me perguntar se eu era de Santa Catarina mesmo
ou se vim de Minas. Eu logo respondi que vim de Divinópolis e de ônibus
com mais de 20 horas de estrada só para ver o Cruzeiro. Mesmo experiente, surpreendeu-se com minha resposta. Mandei meu alô para Divinópolis e ao Alberto Rodrigues
que narraria aquele jogo. Foi muito legal falar ao microfone mais forte no que
diz respeito ao futebol em Minas. Depois de tanta coisa, enfim bola rolando
para o Campeonato Brasileiro de 2011! E eu não conseguia tirar o olho da “loira
da Band”, que posteriormente descobriria seu nome: Simone Malagoli. (FOTOS)
Ah, o jogo?
Tava bem morno. O Cruzeiro foi um pouco superior no primeiro tempo, mas
desperdiçou algumas chances que poderiam valer a vitória no fim. O segundo
tempo mal começou e num escanteio para o Figueirense, Fábio soca a bola contra
a cabeça do Marquinhos Paraná e entra. Figueira 1 a 0.
Fim
de jogo e eu já voltava para casa com uma derrota. Não sem antes aparecer mais
um probleminha a se resolver... Esperei um pouco para sair do estádio. Beleza, ao chegar
à rua, começa minha caçada por um táxi, que segundo o taxista que me trouxe,
seria fácil arrumar. Olhava de um lado, de outro, e nada. Comecei a me
desesperar. Não adiantaria. Parei em uma esquina e pensei um pouco. Fui a
um orelhão onde havia pregado um número de moto táxi. Liguei e o número não era
mais desse serviço, caiu na cidade de Tubarão-SC. Pensei em ligar para o hotel,
para que eles chamassem o táxi para mim, só que me deparei sem este número.
Liguei no 102 e pedi o número do hotel. Passaram-me um número que ninguém atendia... Larguei mão das ligações e saí andando
entre os torcedores rivais. Uns até pareciam saber que eu era torcedor do
Cruzeiro, por mais que eu não estivesse com a camisa. Olhavam-me de um jeito
esquisito... Passei a selecionar quem eu poderia perguntar
sobre um ponto de táxi. Uns 5 minutos rodeando o estádio, encontro um rapaz com
uma criança nos ombros. Seria esse. O abordei e foi muito educado ao me
responder que estava perto de um ponto, a 2 quarteirões dali. Andei como ele me
orientou e finalmente encontrei o táxi que me levaria de volta ao hotel.
Eram
quase 8 da noite quando cheguei ao hotel. Fiquei assistindo a programas
esportivos até rever os melhores momentos do jogo que fui. Tirei um cochilão e a 01:30 da manhã o
celular despertou-me. Foi só arrumar a mochila, pagar a conta e ir embora pegar
o ônibus para Marília às 02:15. Um pequeno atraso e lá estava eu de volta ao
ônibus da Real Expresso. (FOTO)
Voltei pelo mesmo caminho, agora sem problemas. A viagem rendeu e às 4 e meia da tarde cheguei à Marília. O ônibus da Gontijo vindo de Campo Grande-MS, que me levaria de volta a Divinópolis, só passaria às 7 e meia da noite. Não sabia o que fazer até lá. Fui à bilheteria da empresa e comecei a conversar com o companheiro Douglas, que logo me convidou a entrar e ficar ali proseando com ele. Assim o tempo passou voando, ele me apresentou o pessoal das outras empresas, inclusive o atendente da Real Expresso que me atendeu na ida com aquele problema na passagem. O trem já havia virado piada e estávamos dando altas risadas. Contou-me a história da construção do terminal de Marília, que é arredondado e tem um “pico” no teto como se fosse um chapéu mexicano. Mas que a intenção era para que parecesse uma nave espacial... Vai entender. Sei que é bem exótica. (FOTO)
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| Ônibus do trecho Marilia/Floripa/Marilia |
Voltei pelo mesmo caminho, agora sem problemas. A viagem rendeu e às 4 e meia da tarde cheguei à Marília. O ônibus da Gontijo vindo de Campo Grande-MS, que me levaria de volta a Divinópolis, só passaria às 7 e meia da noite. Não sabia o que fazer até lá. Fui à bilheteria da empresa e comecei a conversar com o companheiro Douglas, que logo me convidou a entrar e ficar ali proseando com ele. Assim o tempo passou voando, ele me apresentou o pessoal das outras empresas, inclusive o atendente da Real Expresso que me atendeu na ida com aquele problema na passagem. O trem já havia virado piada e estávamos dando altas risadas. Contou-me a história da construção do terminal de Marília, que é arredondado e tem um “pico” no teto como se fosse um chapéu mexicano. Mas que a intenção era para que parecesse uma nave espacial... Vai entender. Sei que é bem exótica.
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| Rodoviária Chapéu mexicano / Disco voador |
Chegada
a hora. Ônibus da Gontijo encostado e um motorista conhecido na parada: José
Jorge. Doido de tudo! Subi e ele quis que eu fosse na cabine com ele, até aí
tudo bem. Mal saímos da cidade, ele começou a fazer 115 Km/h, sendo que o
limite permitido pela empresa é de 90 Km/h. Passei a me preocupar, felizmente
nada aconteceu. Chegamos bem em Ribeirão, quase 1 da manhã. Troca de motorista,
veio outro conhecido, o Cláudio. Só que dessa vez, o trecho até Divinópolis
iria cochilando lá dentro, na poltrona, confortável. Não aguentei e assim que saímos
de Passos, resolvi levantar e ir junto ao Cláudio na cabine. Pouco antes de
passarmos por Formiga, percebi o ônibus mais devagar e algumas vezes beirando a
linha da direita da estrada. Como olhava para frente, comecei a estranhar. Passei a olhar
para o Cláudio que, aparentava cansaço, piscava muito e com o olho pequeno.
Tive que intensificar a conversa para não acontecer algo pior conosco.
Às
7 e meia da manhã chegamos sãos a Divinópolis. Um alívio para esta pessoa que
ao se despedir do colega motorista diz: “Vai com Deus nesse restinho até BH,
mas capricha no café aqui primeiro hein!” Assim, depois de muitas reviravoltas
e acontecimentos inusitados, cumpro a primeira parte de meus planos.
Muita
coisa viria pela frente!



















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